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Mostrando postagens de Maio, 2012

Um dia comum

Era um dia comum e Paulo voltava para casa depois de mais uma jornada de trabalho. Quarta-feira, 18h30min, início da noite. Nada mais comum que a volta para casa numa quarta-feira sem grandes acontecimentos. Paulo procurava na memória algum fato marcante, uma imagem, um diálogo, qualquer coisa que pudesse fazer daquela quarta-feira comum um dia diferente. Nem bom, nem ruim; diferente já bastava. Sabia que quando chegasse em casa, sua esposa estaria lhe esperando com um belo sorriso e com aqueles seus braços acolhedores. Sabia também que entre a sua chegada e a hora de dormir, ela lhe contaria as histórias do seu dia e lhe perguntaria o que aconteceu no dele. E ela sempre tinha histórias para contar; algum novo conhecido, alguma discussão, alguma coisa que viu na rua. Já ele muitas vezes se saia da obrigação de ter algo interessante para contar dizendo que teve um dia comum, nada de novo. No fundo, gostava da idéia de ter alguém para quem contar o seu dia. No fundo. Mas Paulo não era ho…

É tão fácil de amar...

É tão fácil te amar que eu me recuso
mesmo sem motivo
óbvio, infame ou escuso.

Se quero amar o belo
de beleza te compuseram:
tua tez clara e límpida,
teus olhos castanho-claro
tua boca, linda boca
linda face que não me canso de contemplar
a ponto de te provocar a tua timidez
quando me dizes, assim, envergonhada:
- Que foi?
Foi que não posso passar a vida
sem que ao acordar eu possa
pousar-te nas maçãs os lábios
e te dizer “bom dia”,
ou antes do sono, “boa noite”;
boa vida é a minha por estares aqui
e eu poder contemplar-te a cândida face,
dia e noite,
e saber que ela estará ainda amanhã
e depois e sempre,
até que sabe-se lá qual infortúnio nos separe
- a morte, quero crer.
Canto assim toda tua beleza pela face,
que teu corpo e tuas curvas,
guardo-me de cantar em público;
basta que saibam que amo tua beleza.

Caso cismasse de não amar-te a beleza,
como não amar tua fragilidade tão feminina,
teu jeito de abandonar-se assim nos meus braços,
depois de ter enfrentado o mundo lá de fora
com seriedade e força,
em prantos,
co…

Nada a declarar

Cada vez que eu sento aqui para tentar escrever alguma coisa, fico pensando em como posso dizer algo de útil para a humanidade. Sim, para a humanidade!

Eu poderia me contentar em escrever bobeiras para meus amigos, ou até textos bonitinhos cheios de frases repetidas sabe-se lá quantas vezes ao longo dos séculos e que hoje se convencionou chamar de auto-ajuda. E me sairia bem nessa área, modéstia à parte. Lembro de na adolescência ser um conselheiro e tanto para os amigos que vinham pedir uma opinião. Mas meus interesses mudaram bastante de lá pra cá e auto-ajuda deixou de figurar entre os mais importantes.
Entre esses interesses atuais está a política, mas não dou para e nem tenho vontade de ser comentarista político. Adoro futebol e provavelmente escreveria melhor sobre que muita gente aí da grande mídia - que ganha pra dizer o que todo mundo já sabe - mas também não me interesso por comentários esportivos.
Poemas já não escrevo. Ficção, tenho preguiça (confessei! E, sim, dá trabalho…