Pular para o conteúdo principal

O mundo é um moinho (proteja seus sonhos)

Então mais uma vez é fim de ano. Mais 365 presentes foram desembrulhados por cada um de nós e aproveitados da melhor maneira. Sim, apesar de tudo, cheguei à conclusão que oferecemos ao mundo sempre aquilo que temos de melhor, agimos sempre com o melhor de nós, querendo acertar, mesmo que depois cheguemos à conclusão de que algumas de nossas escolhas foram equivocadas. E esses finais e recomeços são propícios para avaliarmos se o que fizemos está de acordo com quem somos e queremos ser, para ver o que vamos levar pela vida e o que vamos deixar no caminho.

Sim, o título é uma alusão à música do Cartola "preste atenção o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos". Me peguei pensando nessas palavras porque nesse fim de ano notei o quanto fui abandonando boa parte dos meus sonhos - que nem eram mesquinhos. Sobretudo ao rever coisas que escrevi e lembrando de planos que fiz há 5 ou 10 anos. Foi triste, ver que fui deixando me deixando vergar sob o peso desse moinho, das novas responsabilidades da vida adulta, das exigências sociais, das desilusões a respeito de pessoas que admirava, a respeito do mundo que tantas vezes se mostrou hostil e bem diferente daquele lugar bonito, com pessoas boas e amorosas que formavam a sua imagem anterior aqui dentro. Sim, foi muito triste, mas bom também, porque, já que o mundo não acabou mesmo, a vida continua e sempre há a possibilidade de buscar lá dentro, no cantinho da alma onde ficam escondidos aqueles planos que deixamos de lado, cada sonho e cada esperança abandonada. 

Lembro de mim aos 17, num retiro da igreja, durante uma daquelas horas de partilha, dizendo que não sabia bem o queria fazer dali pra frente - e nesse tempo ainda pensava em ser padre, ou missionário, como pensava em escrever ou advogar, ou ainda ser professor, mas em qualquer área que estivesse a intenção era lutar por um mundo melhor, especialmente ajudando os desvalidos. Como dizia, não sabia o que faria, a certeza era apenas a de querer viver plenamente e ser feliz. E, ao dizer isso, não pensava apenas em  expressar algo bonito para que todos me admirassem; dizia com toda a sinceridade e essa fala fazia todo sentido pra mim. Era um daqueles raros momentos em que conseguimos dizer exatamente o que se está sentindo no coração. Mas não fazia ideia do quanto era difícil esse caminho.

Hoje nem vou à missa, escrever para este blog tem sido cada vez uma tarefa mais árdua e paro por aqui porque a intenção não é enumerar minhas desilusões, mas lembrar que tudo isso se deve ao fato de ter esquecido de perseguir aquilo a que me propus nessa época: viver com plenitude. É claro que nessa vida não haverá a plenitude, mas persegui-la nos deixa de algum modo mais próximo de alcançá-la.  E de ser feliz.

Tudo isso, minha gente, para ressaltar a importância de sonhar. Outro dia li num texto da minha querida amiga e blogueira Noemyr que é "nos sonhos que as coisas acontecem verdadeiramente. A vida real é apenas um impulso para o sonho e é por isso que eu não abro mão do bonito, é por isso que quanto mais a vida me mostra que pode ser feia, eu rebato sonhando coisas bonitas." Eu acrescentaria que os sonhos são importantes porque, na medida do possível, trazemos para o mundo real aquilo que vemos neles. Tudo isso que vemos hoje concretizado, inclusive essa tela de computador, smartphone ou tablet, um dia foi o sonho que alguém ousou trazer para nossa realidade, algo tão incrível quanto atravessar um portal para uma terra de sonhos e trazer de lá um objeto mágico. Por isso é tão importante sonhar, porque, mesmo que nunca tiremos de lá um objeto mágico, a própria vida ganha uma aura de magia, de poesia, e sua existência se enche de significado.

Então, se há uma coisa que levo no coração para o ano que chega, é essa vontade de retomar meus sonhos e torná-los tão fortes quanto possível para que não sucumbam quando o moinho da desesperança e frustração chegar. Já comecei a escrever, a ouvir novas músicas, a reencontrar velhos amigos, aprender a tocar novas músicas, escrever cartas e outras coisinhas mais para iluminar essa virada de ano. E tem sido ótimo! Vocês deveriam tentar.

Feliz Ano Novo, pessoas!!!



Postagens mais visitadas deste blog

À Belchior

Se as palavras cortam, poeta
Meus versos são um pouco mais
São caniversos suíços
Que trago ao alcance da mão
para qualquer ocasião

(A velha tentação de rimar
pode cegar as lâminas,
mas sigamos em frente)

Trago sempre comigo
Mas raramente lanço mão
Pois que sou aprendiz
E, no seu manejo,
Mais me golpeio e lacero
Do que poderia fazer a outrem

Das cicatrizes que aqui vês
Como esses talhos no peito
Muitas são marcas deixadas
Pelos meu embates,
Minhas tentativas frustradas
De golpear com meus caniversos

Por isso, poeta
Meu canto torto guardo calado
Que de tão torto, feito faca
É minha carne que corta

Nomes engraçados

Oi, gentes!! Olha eu na maior cara dura já furando no segundo dia de BEDA (risos). Tive um domingo massa, cheio de coisas desde o acordar até a hora do sono, então não deu mesmo pra vir. Vou tentar compensá-los de alguma forma até o fim do mês. Vamos ao texto de hoje.
Você já reparou em como os nomes e sobrenomes podem ser engraçados? Sim, sempre tem alguém fazendo piadas com sobrenomes, sobretudo em tempos de shows de comédia standup e piadinhas enviadas pelas redes sociais. Talvez até você mesmo já tenha feito piadas com os nomes de amigos ou colegas da escola e do trabalho. Mesmo assim vou me arriscar a fazer uma gracinha com o tema.
Alguns nomes já são a piada pronta. Pense nas pessoas com sobrenome Pinto, por exemplo. Você que tem o sobrenome Pinto, tem que ter muito cuidado na hora de escolher o sobrenome dos filhos, senão pode sair algo como João Pinto Brochado. Esse pode ficar traumatizado pra sempre com o nome e já ter dificuldades com ereção desde o dia no qual passar a entend…

Vidas possíveis

Novamente o velho dilema entre fazer o que quero e o que é preciso. Minha mente é naturalmente dispersa e meus interesses, ditados pela minha grande curiosidade a respeito de tudo, mudam com rapidez comparável a possibilidade de clicar em links sugeridos quando se navega pela internet. Mas não é só na internet que meus interesses me fazem ficar horas entre filmes, notícias, humor, esportes, etc. Sempre fui assim, mesmo antes de conhecer esse fabuloso labirinto virtual. Eu sempre fiquei dividido entre várias opções por achar que todas tinham um grau aceitável de validade, mas sem saber a qual dar prioridade.
Passando da pura divagação às experiências ou possibilidades reais, eu sempre me mantive meio que num limbo do qual minha vida poderia me levar para qualquer lugar. Eu sentia, por exemplo, que minha vida poderia ser ligada de alguma forma ao futebol, meu esporte preferido e minha paixão desde que me lembro. Pensava que se treinasse bastante, havia boas possibilidades de me tornar um…