quarta-feira, 20 de setembro de 2017

quinta-feira, 22 de junho de 2017

À Belchior

Se as palavras cortam, poeta
Meus versos são um pouco mais
São caniversos suíços
Que trago ao alcance da mão
para qualquer ocasião

(A velha tentação de rimar
pode cegar as lâminas,
mas sigamos em frente)

Trago sempre comigo
Mas raramente lanço mão
Pois que sou aprendiz
E, no seu manejo,
Mais me golpeio e lacero
Do que poderia fazer a outrem

Das cicatrizes que aqui vês
Como esses talhos no peito
Muitas são marcas deixadas
Pelos meu embates,
Minhas tentativas frustradas
De golpear com meus caniversos

Por isso, poeta
Meu canto torto guardo calado
Que de tão torto, feito faca
É minha carne que corta

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Só para os loucos, só para os raros


Só para os loucos, só para os raros...
Meus pensamentos não andam tão claros
Meus dias passam lentos com o tédio habitual
E vou por entre os prédios andando igual
A um andarilho sem destino e sem teto
Fora dos trilhos e de todo afeto
Me entrego ao acaso repousando em qualquer canto
Sigo cego de descaso saboreando o meu pranto
Rimando apenas por hábito
Por costume adquirido
Rabiscando papéis pálidos
Em momentos de delírio.

Só para os loucos, só para os raros
Em meu arroubo eu declaro:
Só a poesia é que salva
Minha vida e minha alma
De passar por esse mundo
Qual filme vagabundo

Sem ser visto, nem notado

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A morte do ministro

Teori morreu.
Alçou seu último vôo
Em meio à tempestade
E suas asas sucumbiram
Sob o peso do temporal
Dos céus brasileiros.
Por um breve lapso de tempo
Ainda se teve a esperança
De que ele não se tivesse ido,
Que tivesse desistido no último instante
E não tivesse embarcado para o fim.
Mas a realidade nos deu um soco
Na boca do estômago:

Sim, Teori morreu!
E, talvez com ele,
O resto de seriedade
Que se poderia esperar
Das autoridades desse país;
Agora somos nós,
Brasileiros,
Que seguimos nesse vôo às cegas
Em meio às tempestades,
Sem saber se nossas asas
Serão fortes o bastante
Para chegar ao destino almejado
Mas pelo povo,
Não por esses que tomaram de assalto
A cabine do nosso avião
Que esses, a gente sabe,
Saltam de paraquedas ao menor perigo
Tomando o cuidado de levar consigo
O que tiver a possibilidade de ser vendido
- a preço de banana –
Deixando-nos à própria sorte
Rumo ao iminente desastre.

Teori morreu,
Mas nós ainda poderemos viver;
Tomemos a cabine
Atiremos os vendilhões ao mar
E tomemos nas mãos o controle do nosso vôo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Não me julgue

Não me julgue
Não sou da sua jurisdição
Sou eu, meu próprio juiz
Quem determina minhas penas
- Que são muitas e pesadas

Não me condene
Porque ninguém
Maior competência tem
Que eu mesmo
Para dosar minhas sentenças

Não me julgue
Não me condene
Ou eu te julgo e condeno
Ao exílio do meu coração
Até que aprendas a me aceitar como sou

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A arte do encontro

O eterno poetinha Vinícius de Moraes dizia que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida e eu concordo plenamente.

Uma primeira implicação de se ver a vida assim é que, sendo uma arte, ela exige de nós muita criatividade, um toque muito pessoal, um jeito só nosso de promover tal encontro. Mesmo partindo do princípio de que somos seres sociais e é a sociedade na qual estamos inseridos que vai determinar boa parte dos nossos comportamentos no trato com o outro, sabemos se apenas seguimos regras de uma etiqueta qualquer, podemos ser considerados seres que sabem se comportar nos espaços públicos com adequação, mas o encontro verdadeiro, aquele no qual duas almas se reconhecem, seja na amizade, seja no amor, esse aí pede muito mais. Pede empenho e liberdade de artista.

O artista é aquele que cria, que vê algo novo onde ninguém mais viu, ou naquilo que todo mundo via, mas de maneira automatizada, sem atribuir significado ou valor nascido de sua subjetividade. Esse olhar é ponto de partida para a sua criatividade, para a sua verdadeira obra. E para fazer a sua obra, o artista faz uso de matéria-prima, uma matéria bruta que vai ser transformada em algo inédito, único, absolutamente fascinante e que nos toca por trazer aquilo que de mais humano temos em nós. (E o que pode ser mais humano do que procurar o encontro verdadeiro com o outro?)

A matéria-prima de que o artista do encontro faz uso para a sua arte são coisas banais de que todos fazem uso todos os dias: sorriso, aperto de mãos, abraço, olhar atento, ouvidos de prontidão, ombro amigo. O artista do encontro faz uso de tais materiais e, por meio deles, sabe estar aberto para receber o outro. Por outro lado, sabe se dar quando preciso, porque o encontro é via de mão dupla; é uma arte que só se faz em parceria entre, no mínimo, duas pessoas.

A obra prima do artista do encontro é o amor. Quando uma mãe ou um pai ama profundamente seus filhos; quando amigos se acompanham pela vida gratuitamente, pelo prazer da companhia, apoiando nas horas difíceis e comemorando as conquistas um do outro; quando um homem e uma mulher vivem profundamente a experiência do amor a dois, todos estes tornam-se artistas do encontro.

Mas, infelizmente, como diz o poeta, há tanto desencontro na vida! É porque viver e ir ao encontro do outro não é uma arte fácil – e qual arte é? Quando vivemos como robôs, numa rotina automatizada e teleguiada pela moda, pela etiqueta, pelas mais variadas regras sociais vazias, pela impulso meramente consumista, enfim, por aquilo que nos leva para longe do outro e não nos ajuda a estabelecer laços, estamos ao mesmo tempo nos deixando que nos tirem a vida, pois esta, é a arte do encontro.


Não deixemos que nos tirem o nosso bem mais precioso, meus caros. Vamos fazer da nossa vida a mais sublime arte, que é esse encontro profundo com o outro, no qual duas almas se reconhecem para fazer a obra-prima mais bonita e que mais nos emociona – o amor. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nomes engraçados

Oi, gentes!! Olha eu na maior cara dura já furando no segundo dia de BEDA (risos). Tive um domingo massa, cheio de coisas desde o acordar até a hora do sono, então não deu mesmo pra vir. Vou tentar compensá-los de alguma forma até o fim do mês. Vamos ao texto de hoje.

Você já reparou em como os nomes e sobrenomes podem ser engraçados? Sim, sempre tem alguém fazendo piadas com sobrenomes, sobretudo em tempos de shows de comédia standup e piadinhas enviadas pelas redes sociais. Talvez até você mesmo já tenha feito piadas com os nomes de amigos ou colegas da escola e do trabalho. Mesmo assim vou me arriscar a fazer uma gracinha com o tema.

Alguns nomes já são a piada pronta. Pense nas pessoas com sobrenome Pinto, por exemplo. Você que tem o sobrenome Pinto, tem que ter muito cuidado na hora de escolher o sobrenome dos filhos, senão pode sair algo como João Pinto Brochado. Esse pode ficar traumatizado pra sempre com o nome e já ter dificuldades com ereção desde o dia no qual passar a entender o que é brochar. Outra piada pronta seria colocar o nome do rapazinho de Pinto Gentil, por exemplo. Se você já ouviu essa piada infame, já está rindo. Se não, procure, porque não vou descer o nível do meu texto a esse ponto. A gente faz quase tudo pra salvar um BEDA, mas tudo tem limites (risos).

Se você, seu Pinto, tiver uma menina, imagina como iriam zoar a bichinha se o senhor desse o nome de Joana Melo Pinto, por exemplo. Mas se o senhor quiser sacanear de verdade com sua filha, troque Joana por Eva Gina e mantenha o sobrenome. E prepare o bolso pra terapia.

Jacinto é um nome perigoso também. Mistura Jacinto com Pinto que até rima. Já seria sacanagem até aí, mas sempre podem ser acrescentados requintes de crueldade. Não acredita? Vamos acrescentar alguns sobrenomes aqui pra ver como fica. Que tal Jacinto Pinto Aquino Rego? Prevejo uma vida de risadinhas na hora da chamada da escola. O menino nunca vai querer dizer o nome completo na vida. A não ser que ele descubra que gosta da fruta. Pode acontecer. Nesse caso o nome pode até denunciar uma vocação pra vidente do pai ou da mãe que escolheu.

Se for pensar por esse lado de os pais escolherem um nome e ele ser uma adivinhação sobre o futuro da pessoa, pode-se até se considerar pensar que Maria da Boa Morte é um bom nome. Afinal, ninguém deseja uma morte ruim pra sua filha, né? Se ela vai ter que encarar a morte mesmo algum dia, que seja uma boa, ao menos. Ainda nessa linha de raciocínio, o pai pode imaginar o filho sendo chefe – ou pai de santo – e já põe um nome sugestivo na criança: José do Bom Despacho. Posso até ver o anúncio grudado no poste:

- Pai José do Bom Despacho: devolvemos a pessoa amada em 3 dias, curamos mau-olhado, etc. etc.

Acho que já zoei com o nome de muita gente por hoje. Talvez eu fale de mais alguns durante o mês.


Até amanhã, gentes!

sábado, 1 de agosto de 2015

BEDA 2015 - parte 2: a missão!

E aí, pessoas queridas!! Ó aqui eu de novo na maior cara de pau depois de mais uma promessa de escrever mais descumprida! Hahaha

Ontem a namorada perguntou por que eu não escrevia mais. Eu dei algumas razões possíveis, mas a verdade é que nem eu sei o porquê. Escrever é algo que eu realmente gosto de fazer, mas alguma coisa faz com que eu não dedique mais tempo a essa atividade. Talvez a melhor explicação seja que escrever está quase sempre em último lugar na minha lista de prioridades – e talvez nem seja prioridade alguma. E porque escrever dá trabalho: é preciso pensar, escolher as palavras certas, tentar antecipar algumas possíveis reações do leitor e fazer com que as palavras externem o mais fielmente possível aquilo que projetamos para o texto. Além disso, a boa prática de escrita exige do escritor para com seu texto ler, revisar, reescrever, reler e reescrever de novo até que ele fique sem erros e sem ambiguidades não planejadas.

Agora imagina fazer tudo isso depois de ter acordado cedo, enfrentado 8 horas de expediente e mais 4 de aula na faculdade! Difícil, né? Na maioria das vezes eu só quero descansar o corpo e a mente. Mas não é impossível, tanto que no BEDA de abril a maioria dos textos eu escrevi depois dessa rotina cansativa e ainda saíram alguns bons textos. Eu poderia fazer esse sacrifício duas vezes por semana, com certeza. Mas me falta talvez esse senso de urgência em externar meus pensamentos ou até ressuscitar minha veia literária brindando-os com poemas, crônicas e contos.

É por isso que decidi enfrentar novo desafio e participar de outro BEDA no mesmo ano – dessa vez Blog Everyday in August. Assim, me obrigando a escrever todos os dias, quem sabe dessa vez não me anime e continue a atualizar esse blog com alguma frequência.

Tá vendo?! Agosto pode não ser apenas um mês de desgosto e pode ser que, mesmo ele se  arrastando, como algumas pessoas pensam que se arrasta, haja um bom motivo pra que ele não termine logo: sim, estou falando dos meus textos, modéstia à parte (risos).

Estão preparados? Vamos lá a mais uma tentativa.

Mandem energias e sugestões de assuntos para posts. E leiam e comentem, meus 5 ou 6 leitores fiéis.


Abraço e bom agosto para todos!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Sobre o crescimento da intolerância no Brasil atual

Está rolando um vídeo na internet comparando a reação geral aos petistas ao que ocorria os judeus na Alemanha nazista. O argumento é de que, como a propaganda nazista culpava os judeus de todas as mazelas da Alemanha à época, faz-se hoje com o petismo no Brasil. A comparação talvez seja um pouco exagerada, mas não chega a ser absurda. É preciso ter pensamento crítico pra saber que a corrupção, infelizmente, não é propriedade de um único partido, e nem a honestidade. Não existe essa divisão artificial entre nós os bonzinhos e eles os maus que devem ser eliminados para que o bem vença. Quando colocamos as coisas dessa maneira a história nos ensina que costuma não terminar bem (mas quanto hoje se dá importância ao que a história ensina?).
Ao ver o nível de intolerância que toma conta das redes sociais hoje, e que muitas vezes se reflete fora dela, eu me lembro de um trecho do artigo "Uma guerra civil não é uma guerra, é uma doença", escrito por Antoine de Saint-Exupéry sobre a guerra civil espanhola. Dizia ele:
"Estes homens não vão ao ataque na embriaguez da conquista, mas, surdamente, estão lutando contra um contágio. E, no campo oposto, sem dúvida, se passará o mesmo. Nesta luta não se trata de escorraçar do território pátrio um inimigo, mas de curar uma doença. (...) E as pessoas, na rua, sentem-se rodeadas de pestíferos a quem não sabem reconhecer.
(...) A morte, aqui, é o lazareto do isolamento. Eliminam-se os portadores de germes. Os anarquistas fazem visitas domiciliares e carregam os contagiosos para suas carretas. E, do outro lado da barreira, Franco pôde pronunciar essas palavras atrozes: 'Aqui não existem mais comunistas!'.
(...) Sob a cal ou o petróleo queimam-se os mortos em campos de produção de estrume. Nenhum respeito pelo homem. Em cada partido, os movimentos de consciência são perseguidos como se tratasse de uma doença.".
É certo que não vivemos aqui uma experiência nazista ou uma guerra civil entre direita e esquerda. Mas é preciso ficar atento quando começa-se a ver pessoas querendo exterminar petistas porque são o "câncer" do Brasil, e também quando do outro lado só se consiga ver uma pessoa que não concorda com as pautas de esquerda como alguém possuído de ódio ou um inimigo que eu vou excluir do meu face e do meu círculo de amizades, porque aí fecham-se todas as possibilidades de diálogo. Passamos a ver o outro como não humano, ou como dizia Exupéry, como alguém possuído de uma peste, uma doença que devemos exterminar. Seguindo nessa pegada, se não de uma hora pra outra, pelo menos gradualmente esse momento pode chegar. 
Vai chegar? Não sei, mas é melhor procurar minar as condições que podem levar a ele. E aqui eu concordo com Exupéry, quando diz que um dos requisitos fundamentais para solucionar nossos impasses sem levar a grandes tragédias é reconhecer que do outro lado da discussão também existe um ser humano, tão digno de respeito à vida e à opinião quanto você. Talvez assim se consiga deixar a discordância ao campo das ideias e até ver um pouco de razão no que o coleguinha disse e, depois de terminada a discussão, ambos possam conversar sobre amenidades do dia-a-dia. Será que é querer demais?

Eis o vídeo: