segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Vidas possíveis


Novamente o velho dilema entre fazer o que quero e o que é preciso. Minha mente é naturalmente dispersa e meus interesses, ditados pela minha grande curiosidade a respeito de tudo, mudam com rapidez comparável a possibilidade de clicar em links sugeridos quando se navega pela internet. Mas não é só na internet que meus interesses me fazem ficar horas entre filmes, notícias, humor, esportes, etc. Sempre fui assim, mesmo antes de conhecer esse fabuloso labirinto virtual. Eu sempre fiquei dividido entre várias opções por achar que todas tinham um grau aceitável de validade, mas sem saber a qual dar prioridade.

Passando da pura divagação às experiências ou possibilidades reais, eu sempre me mantive meio que num limbo do qual minha vida poderia me levar para qualquer lugar. Eu sentia, por exemplo, que minha vida poderia ser ligada de alguma forma ao futebol, meu esporte preferido e minha paixão desde que me lembro. Pensava que se treinasse bastante, havia boas possibilidades de me tornar um bom jogador, quem sabe jogar no Flamengo, meu clube de coração.

Outras vezes via a real possibilidade de me tornar padre. Tive uma infância e juventude muito ligada à igreja católica e por vezes me sentia chamado a viver essa vocação – às vezes por religiosos que viam potencial em mim para ela. De alguma forma que não sei explicar, me via como alguém que nasceu para ter grandes responsabilidades e realizar grandes feitos. Ser padre ou religioso, por si, é algo de grande responsabilidade: imagina o que é carregar o peso de todas as esperanças, medos, sonhos, intrigas, fé, disputas, carinho e amor de toda uma paróquia, no caso dos párocos? Já é grande coisa, mas isso não seria suficiente para minhas pretensões de grandeza. Se fosse padre, eu queria ser como Pe. Zezinho ou Pe. Fábio de Melo, um padre cantor com alcance maior, capaz de tocar os corações dos católicos no país inteiro.

Aproveitando o ensejo, outra possibilidade que considerava real era a de me tornar cantor e músico. A exemplo de meu pensamento em relação ao futebol, pensava que se treinasse bastante poderia me tornar um grande músico, como aqueles que admiro. Como não me considero muito carismático cantando, pensava que precisaria ser também um excepcional compositor, para gravar minhas próprias músicas. E para tanto, haja escrever e compor melodias, horas e mais horas de trabalho para lapidar as versões até chegar a um resultado digno de ser gravado.

E como estamos em um blog, chegamos assim ao próximo item da minha lista de profissões possíveis: cheguei a pensar seriamente na possibilidade de me tornar escritor, especialmente depois que passei a escrever nesse blog e ganhei alguns seguidores fieis, e mais ainda depois que fiquei em segundo lugar no 1º concurso de contos da UEA, em 2008. O talento, pensava, eu já tinha, só faltava o treino e a dedicação, o trabalho sobre a palavra para criar um estilo próprio que fosse capaz de tocar as pessoas.

Jogador de futebol, padre, cantor, escritor... que mais eu quis ser? Com certeza muitas outras coisas, mas esses foram o que quis com mais força, digamos assim. No fim, acabei mesmo como servidor público que joga futebol com os amigos, mal vai à igreja, canta às vezes por diversão e quase não escreve – basta dar uma olhada na frequência de posts nesse blog para constatar a última afirmação.

Dia desses estava assistindo uma palestra do Cortella na qual ele cita o segunte trecho de Alice no país das maravilhas: “Pra quem não sabe aonde ir, qualquer lugar serve.”


Aos 30 anos, eu não sei ainda aonde quero ir.


*Texto escrito em 2014, na crise dos 30 - nunca publicado.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

quinta-feira, 22 de junho de 2017

À Belchior

Se as palavras cortam, poeta
Meus versos são um pouco mais
São caniversos suíços
Que trago ao alcance da mão
para qualquer ocasião

(A velha tentação de rimar
pode cegar as lâminas,
mas sigamos em frente)

Trago sempre comigo
Mas raramente lanço mão
Pois que sou aprendiz
E, no seu manejo,
Mais me golpeio e lacero
Do que poderia fazer a outrem

Das cicatrizes que aqui vês
Como esses talhos no peito
Muitas são marcas deixadas
Pelos meu embates,
Minhas tentativas frustradas
De golpear com meus caniversos

Por isso, poeta
Meu canto torto guardo calado
Que de tão torto, feito faca
É minha carne que corta

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Só para os loucos, só para os raros


Só para os loucos, só para os raros...
Meus pensamentos não andam tão claros
Meus dias passam lentos com o tédio habitual
E vou por entre os prédios andando igual
A um andarilho sem destino e sem teto
Fora dos trilhos e de todo afeto
Me entrego ao acaso repousando em qualquer canto
Sigo cego de descaso saboreando o meu pranto
Rimando apenas por hábito
Por costume adquirido
Rabiscando papéis pálidos
Em momentos de delírio.

Só para os loucos, só para os raros
Em meu arroubo eu declaro:
Só a poesia é que salva
Minha vida e minha alma
De passar por esse mundo
Qual filme vagabundo

Sem ser visto, nem notado

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A morte do ministro

Teori morreu.
Alçou seu último vôo
Em meio à tempestade
E suas asas sucumbiram
Sob o peso do temporal
Dos céus brasileiros.
Por um breve lapso de tempo
Ainda se teve a esperança
De que ele não se tivesse ido,
Que tivesse desistido no último instante
E não tivesse embarcado para o fim.
Mas a realidade nos deu um soco
Na boca do estômago:

Sim, Teori morreu!
E, talvez com ele,
O resto de seriedade
Que se poderia esperar
Das autoridades desse país;
Agora somos nós,
Brasileiros,
Que seguimos nesse vôo às cegas
Em meio às tempestades,
Sem saber se nossas asas
Serão fortes o bastante
Para chegar ao destino almejado
Mas pelo povo,
Não por esses que tomaram de assalto
A cabine do nosso avião
Que esses, a gente sabe,
Saltam de paraquedas ao menor perigo
Tomando o cuidado de levar consigo
O que tiver a possibilidade de ser vendido
- a preço de banana –
Deixando-nos à própria sorte
Rumo ao iminente desastre.

Teori morreu,
Mas nós ainda poderemos viver;
Tomemos a cabine
Atiremos os vendilhões ao mar
E tomemos nas mãos o controle do nosso vôo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Não me julgue

Não me julgue
Não sou da sua jurisdição
Sou eu, meu próprio juiz
Quem determina minhas penas
- Que são muitas e pesadas

Não me condene
Porque ninguém
Maior competência tem
Que eu mesmo
Para dosar minhas sentenças

Não me julgue
Não me condene
Ou eu te julgo e condeno
Ao exílio do meu coração
Até que aprendas a me aceitar como sou

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A arte do encontro

O eterno poetinha Vinícius de Moraes dizia que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida e eu concordo plenamente.

Uma primeira implicação de se ver a vida assim é que, sendo uma arte, ela exige de nós muita criatividade, um toque muito pessoal, um jeito só nosso de promover tal encontro. Mesmo partindo do princípio de que somos seres sociais e é a sociedade na qual estamos inseridos que vai determinar boa parte dos nossos comportamentos no trato com o outro, sabemos se apenas seguimos regras de uma etiqueta qualquer, podemos ser considerados seres que sabem se comportar nos espaços públicos com adequação, mas o encontro verdadeiro, aquele no qual duas almas se reconhecem, seja na amizade, seja no amor, esse aí pede muito mais. Pede empenho e liberdade de artista.

O artista é aquele que cria, que vê algo novo onde ninguém mais viu, ou naquilo que todo mundo via, mas de maneira automatizada, sem atribuir significado ou valor nascido de sua subjetividade. Esse olhar é ponto de partida para a sua criatividade, para a sua verdadeira obra. E para fazer a sua obra, o artista faz uso de matéria-prima, uma matéria bruta que vai ser transformada em algo inédito, único, absolutamente fascinante e que nos toca por trazer aquilo que de mais humano temos em nós. (E o que pode ser mais humano do que procurar o encontro verdadeiro com o outro?)

A matéria-prima de que o artista do encontro faz uso para a sua arte são coisas banais de que todos fazem uso todos os dias: sorriso, aperto de mãos, abraço, olhar atento, ouvidos de prontidão, ombro amigo. O artista do encontro faz uso de tais materiais e, por meio deles, sabe estar aberto para receber o outro. Por outro lado, sabe se dar quando preciso, porque o encontro é via de mão dupla; é uma arte que só se faz em parceria entre, no mínimo, duas pessoas.

A obra prima do artista do encontro é o amor. Quando uma mãe ou um pai ama profundamente seus filhos; quando amigos se acompanham pela vida gratuitamente, pelo prazer da companhia, apoiando nas horas difíceis e comemorando as conquistas um do outro; quando um homem e uma mulher vivem profundamente a experiência do amor a dois, todos estes tornam-se artistas do encontro.

Mas, infelizmente, como diz o poeta, há tanto desencontro na vida! É porque viver e ir ao encontro do outro não é uma arte fácil – e qual arte é? Quando vivemos como robôs, numa rotina automatizada e teleguiada pela moda, pela etiqueta, pelas mais variadas regras sociais vazias, pela impulso meramente consumista, enfim, por aquilo que nos leva para longe do outro e não nos ajuda a estabelecer laços, estamos ao mesmo tempo nos deixando que nos tirem a vida, pois esta, é a arte do encontro.


Não deixemos que nos tirem o nosso bem mais precioso, meus caros. Vamos fazer da nossa vida a mais sublime arte, que é esse encontro profundo com o outro, no qual duas almas se reconhecem para fazer a obra-prima mais bonita e que mais nos emociona – o amor. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nomes engraçados

Oi, gentes!! Olha eu na maior cara dura já furando no segundo dia de BEDA (risos). Tive um domingo massa, cheio de coisas desde o acordar até a hora do sono, então não deu mesmo pra vir. Vou tentar compensá-los de alguma forma até o fim do mês. Vamos ao texto de hoje.

Você já reparou em como os nomes e sobrenomes podem ser engraçados? Sim, sempre tem alguém fazendo piadas com sobrenomes, sobretudo em tempos de shows de comédia standup e piadinhas enviadas pelas redes sociais. Talvez até você mesmo já tenha feito piadas com os nomes de amigos ou colegas da escola e do trabalho. Mesmo assim vou me arriscar a fazer uma gracinha com o tema.

Alguns nomes já são a piada pronta. Pense nas pessoas com sobrenome Pinto, por exemplo. Você que tem o sobrenome Pinto, tem que ter muito cuidado na hora de escolher o sobrenome dos filhos, senão pode sair algo como João Pinto Brochado. Esse pode ficar traumatizado pra sempre com o nome e já ter dificuldades com ereção desde o dia no qual passar a entender o que é brochar. Outra piada pronta seria colocar o nome do rapazinho de Pinto Gentil, por exemplo. Se você já ouviu essa piada infame, já está rindo. Se não, procure, porque não vou descer o nível do meu texto a esse ponto. A gente faz quase tudo pra salvar um BEDA, mas tudo tem limites (risos).

Se você, seu Pinto, tiver uma menina, imagina como iriam zoar a bichinha se o senhor desse o nome de Joana Melo Pinto, por exemplo. Mas se o senhor quiser sacanear de verdade com sua filha, troque Joana por Eva Gina e mantenha o sobrenome. E prepare o bolso pra terapia.

Jacinto é um nome perigoso também. Mistura Jacinto com Pinto que até rima. Já seria sacanagem até aí, mas sempre podem ser acrescentados requintes de crueldade. Não acredita? Vamos acrescentar alguns sobrenomes aqui pra ver como fica. Que tal Jacinto Pinto Aquino Rego? Prevejo uma vida de risadinhas na hora da chamada da escola. O menino nunca vai querer dizer o nome completo na vida. A não ser que ele descubra que gosta da fruta. Pode acontecer. Nesse caso o nome pode até denunciar uma vocação pra vidente do pai ou da mãe que escolheu.

Se for pensar por esse lado de os pais escolherem um nome e ele ser uma adivinhação sobre o futuro da pessoa, pode-se até se considerar pensar que Maria da Boa Morte é um bom nome. Afinal, ninguém deseja uma morte ruim pra sua filha, né? Se ela vai ter que encarar a morte mesmo algum dia, que seja uma boa, ao menos. Ainda nessa linha de raciocínio, o pai pode imaginar o filho sendo chefe – ou pai de santo – e já põe um nome sugestivo na criança: José do Bom Despacho. Posso até ver o anúncio grudado no poste:

- Pai José do Bom Despacho: devolvemos a pessoa amada em 3 dias, curamos mau-olhado, etc. etc.

Acho que já zoei com o nome de muita gente por hoje. Talvez eu fale de mais alguns durante o mês.


Até amanhã, gentes!

sábado, 1 de agosto de 2015

BEDA 2015 - parte 2: a missão!

E aí, pessoas queridas!! Ó aqui eu de novo na maior cara de pau depois de mais uma promessa de escrever mais descumprida! Hahaha

Ontem a namorada perguntou por que eu não escrevia mais. Eu dei algumas razões possíveis, mas a verdade é que nem eu sei o porquê. Escrever é algo que eu realmente gosto de fazer, mas alguma coisa faz com que eu não dedique mais tempo a essa atividade. Talvez a melhor explicação seja que escrever está quase sempre em último lugar na minha lista de prioridades – e talvez nem seja prioridade alguma. E porque escrever dá trabalho: é preciso pensar, escolher as palavras certas, tentar antecipar algumas possíveis reações do leitor e fazer com que as palavras externem o mais fielmente possível aquilo que projetamos para o texto. Além disso, a boa prática de escrita exige do escritor para com seu texto ler, revisar, reescrever, reler e reescrever de novo até que ele fique sem erros e sem ambiguidades não planejadas.

Agora imagina fazer tudo isso depois de ter acordado cedo, enfrentado 8 horas de expediente e mais 4 de aula na faculdade! Difícil, né? Na maioria das vezes eu só quero descansar o corpo e a mente. Mas não é impossível, tanto que no BEDA de abril a maioria dos textos eu escrevi depois dessa rotina cansativa e ainda saíram alguns bons textos. Eu poderia fazer esse sacrifício duas vezes por semana, com certeza. Mas me falta talvez esse senso de urgência em externar meus pensamentos ou até ressuscitar minha veia literária brindando-os com poemas, crônicas e contos.

É por isso que decidi enfrentar novo desafio e participar de outro BEDA no mesmo ano – dessa vez Blog Everyday in August. Assim, me obrigando a escrever todos os dias, quem sabe dessa vez não me anime e continue a atualizar esse blog com alguma frequência.

Tá vendo?! Agosto pode não ser apenas um mês de desgosto e pode ser que, mesmo ele se  arrastando, como algumas pessoas pensam que se arrasta, haja um bom motivo pra que ele não termine logo: sim, estou falando dos meus textos, modéstia à parte (risos).

Estão preparados? Vamos lá a mais uma tentativa.

Mandem energias e sugestões de assuntos para posts. E leiam e comentem, meus 5 ou 6 leitores fiéis.


Abraço e bom agosto para todos!

terça-feira, 7 de julho de 2015

Sobre o crescimento da intolerância no Brasil atual

Está rolando um vídeo na internet comparando a reação geral aos petistas ao que ocorria os judeus na Alemanha nazista. O argumento é de que, como a propaganda nazista culpava os judeus de todas as mazelas da Alemanha à época, faz-se hoje com o petismo no Brasil. A comparação talvez seja um pouco exagerada, mas não chega a ser absurda. É preciso ter pensamento crítico pra saber que a corrupção, infelizmente, não é propriedade de um único partido, e nem a honestidade. Não existe essa divisão artificial entre nós os bonzinhos e eles os maus que devem ser eliminados para que o bem vença. Quando colocamos as coisas dessa maneira a história nos ensina que costuma não terminar bem (mas quanto hoje se dá importância ao que a história ensina?).
Ao ver o nível de intolerância que toma conta das redes sociais hoje, e que muitas vezes se reflete fora dela, eu me lembro de um trecho do artigo "Uma guerra civil não é uma guerra, é uma doença", escrito por Antoine de Saint-Exupéry sobre a guerra civil espanhola. Dizia ele:
"Estes homens não vão ao ataque na embriaguez da conquista, mas, surdamente, estão lutando contra um contágio. E, no campo oposto, sem dúvida, se passará o mesmo. Nesta luta não se trata de escorraçar do território pátrio um inimigo, mas de curar uma doença. (...) E as pessoas, na rua, sentem-se rodeadas de pestíferos a quem não sabem reconhecer.
(...) A morte, aqui, é o lazareto do isolamento. Eliminam-se os portadores de germes. Os anarquistas fazem visitas domiciliares e carregam os contagiosos para suas carretas. E, do outro lado da barreira, Franco pôde pronunciar essas palavras atrozes: 'Aqui não existem mais comunistas!'.
(...) Sob a cal ou o petróleo queimam-se os mortos em campos de produção de estrume. Nenhum respeito pelo homem. Em cada partido, os movimentos de consciência são perseguidos como se tratasse de uma doença.".
É certo que não vivemos aqui uma experiência nazista ou uma guerra civil entre direita e esquerda. Mas é preciso ficar atento quando começa-se a ver pessoas querendo exterminar petistas porque são o "câncer" do Brasil, e também quando do outro lado só se consiga ver uma pessoa que não concorda com as pautas de esquerda como alguém possuído de ódio ou um inimigo que eu vou excluir do meu face e do meu círculo de amizades, porque aí fecham-se todas as possibilidades de diálogo. Passamos a ver o outro como não humano, ou como dizia Exupéry, como alguém possuído de uma peste, uma doença que devemos exterminar. Seguindo nessa pegada, se não de uma hora pra outra, pelo menos gradualmente esse momento pode chegar. 
Vai chegar? Não sei, mas é melhor procurar minar as condições que podem levar a ele. E aqui eu concordo com Exupéry, quando diz que um dos requisitos fundamentais para solucionar nossos impasses sem levar a grandes tragédias é reconhecer que do outro lado da discussão também existe um ser humano, tão digno de respeito à vida e à opinião quanto você. Talvez assim se consiga deixar a discordância ao campo das ideias e até ver um pouco de razão no que o coleguinha disse e, depois de terminada a discussão, ambos possam conversar sobre amenidades do dia-a-dia. Será que é querer demais?

Eis o vídeo:

terça-feira, 28 de abril de 2015

Satisfações aos seguidores fiéis

Gente, como vocês puderam notar, meu BEDA foi pras cucuias, mas foi lindo enquanto durou. Thami, obrigado mais uma vez por me cutucar pra tentar participar. Não foi dessa vez que cumpri até o final rs.

Muita atividade aqui no mundo de fora entre dar apoio a amigos em dificuldades, conhecer gente nova, confraternizar com amigos, estudar - viver, enfim. Acabou não sobrando tempo para pensar nos textos diários a que havia me proposto no início do mês. 

De qualquer forma, foi lindo, como disse, e vi que não estou tão enferrujado assim para escrever. A ideia é postar ao menos 2 textos semanais em dias que ainda vou definir aqui e volto pra avisar. Mas quem me conhece sabe que tudo pode mudar a qualquer momento e que provavelmente terão semanas em que postarei 3 textos e outras nas quais não postarei nenhum. 

Seja como for, o blog vive!

Beijo nocês e até breve!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo...

 Se o mundo é mesmo
 Parecido com o que vejo
 Prefiro acreditar
 No mundo do meu jeito



Esse trecho de Eu era um lobisomem juvenil, da Leigião Urbana, foi durante muito tempo minha frase preferida. Como vocês podem ver no meu post anterior, o meu despertar para o mundo ao passar da infância para a adolescência foi um choque profundo nas crenças que tinha como verdadeiras e universais, os princípios e valores cristãos que minha família havia me ensinado desde a mais tenra idade.

Acreditava profundamente no amor e no bem e, na minha inocência, acreditava que o bem era a regra e o mal era um desvio, a exceção. Como Rousseau, acreditava que os homens nasciam bons e eram corrompidos pela sociedade - pelo "mundo", usando o vocabulário cristão. Quando eu comecei a ver que não era bem assim que a banda tocava, eu me vi perdido e sem direção, sem saber como fazer para conciliar a minha crença com o que via na realidade. 

Eu era naquela época uma pessoa muito mais empática ainda do que sou hoje e sofria com o sofrimento das outras pessoas. Não conseguia entender como uma pessoa poderia ostentar sabendo que outras estavam morrendo de fome, sede e frio na África, no Nordeste brasilieiro, e onde mais houvesse miséria. Não conseguia entender porque as pessoas poderiam ser grossas e estúpidas gratuitamente, quando pra mim parecia tão natural querer fazer as pessoas ao meu redor se sentirem bem. Quando digo isso, não falo querendo me exaltar, é porque eu acreditava que era assim que deveria ser, natural para todos os homens, não apenas pra mim. Mas não era. 

Já na igreja mesmo, nas Campanhas da Fraternidade e no mês das missões, quando a gente ia de casa em casa fazer novenas, rezar, ler a bíblia, eu me deparei tantas vezes com realidades tristes, de gente doente e idosa abandonada à própria sorte; mãe de família com uma penca de filhos morando em barracos de chão batido, sem divisão, privada de quase tudo, inclusive de alimento; famílias que sofriam com parentes alcoólatras ou dependentes químicos, que imploravam pra que orássemos por eles, para que tomassem outro rumo na vida; e tantos outros casos mais que vi durante os vários anos que participei da igreja. Esses impressionaram mais porque estavam ali, no mesmo bairro, a algumas quadras de casa, não na África, não na Ásia, mas bem perto, perto demais de mim. Isso me abalou muito, muito mesmo.

E na igreja eu havia aprendido que a Palavra de Deus era transformadora, que o Reino dos Céus tal como Jesus pregou deveria começar aqui neste mundo. Então, eu sempre pensava em como poderia fazer para transformar essa realidade triste que ora eu experimentava. Porém, ao mesmo tempo que pensava em como transformar essa realidade, fazia vista grossa para o que estava acontecendo para não sofrer tanto, pois achava naquele momento, como a maioria de nós acha, que não poderia fazer muita coisa para mudar aquelas situações de imediato e precisava seguir em frente sem sofrer junto.  

No fundo, a gente acaba fazendo como o Renato escreveu e acreditando no mundo do nosso jeito particular. E o meu mundo era aquele da igreja e da família, em que todo mundo se dava bem e se abraçava e, apesar de algumas desavenças que são naturais quando tem muita gente junta, quando era preciso, todo mundo se unia para ajudar alguém que estava precisando. Era nesse mundo que eu queria acreditar, no mundo de pessoas que rezavam juntas, partilhavam experiências e procuravam de alguma forma fazer a diferença nesse mundo. E me colocava numa espécie de redoma, sem saber muito do que se passava fora disso.

Mas o mundo lá fora continua, segue sua marcha e uma hora ou outra eu acabaria esbarrando nele. Como na vez em que fui assaltado. Ou quando fui assaltado pela segunda vez. Ou quando via amigos de infância se perdendo no mundo das drogas e até do crime. Mesmo que em boa parte do tempo eu ligue os pontos e acredite no mundo do meu jeito, ele sempre dá um jeito de mostrar que minha percepção dele não corresponde fielmente à realidade. 

O que se faz, então? Creio que não há muito o que fazer. De uma forma ou de outra, acreditamos no mundo de um jeito nosso, particular, porque nossas crenças baseiam-se em nossas experiências. E nós temos uma necessidade danada de por uma ordem e dar um sentido a tudo, por isso estamos sempre ajustando nossa maneira de ver o mundo. Suponho que no máximo possamos tentar apurar a visão ao máximo para sair do estado de negação da realidade - ou de uma parcela desta - para enxergá-la de uma forma mais completa.

Enxergar de forma completa não significa aceitar. Creio que a atitude tem que ser transformadora mesmo - ver o todo, o que há de bom e de ruim, e transformar o mal com o que não concordo no bem que eu desejo. Com essa atitude, acreditar no mundo do meu jeito passa a significar: acreditar que posso fazer do mundo um lugar mais próximo do que desejo. E é assim que deve ser.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Saio de mim *


Saio de mim e começo a me observar:
Olho para todos os detalhes
E não sei o que pensar

Olho para o passado e
Ah! Sim! Lá estou eu
O menino amável que a todos conquista
Correndo sem camisa no meio da rua
Que nada conhecia para além da sua vista
Que não fazia esforços para agradar ninguém
A quem ninguém queria mal
Se aproximar, também, ninguém
Mas para ele não tinha importância
Na verdade ele nem percebia
Cercados de seus bonecos
Eram sua única companhia
Além dos livros, lápis, borracha...

O que não conhecia, imaginava
E na imaginação
Seus bonecos eram personagens
De um jogo de futebol
Ou de uma grande aventura
Tudo era muito bom e muito bonito
A música sempre encontrou vida nele

Um dia ele viu os outros
Jogando bola de verdade
E ele quis jogar bola também
Ele começou a ver os outros
A observar seu comportamento
Não queria mais ser o que era
E começou a mudar, e mudar
E começou a crescer, e crescer
Mas não gostou muito da mudança

E começou a querer agradar a outros
Mas era tudo diferente
Agradava a outros, mas não a si próprio
Percebeu tudo: tudo foi se tornando claro aos seus olhos
Não os da cara; os do coração

Mas que pena! Já era tarde
Tentou voltar, mas não conseguiu
Aprendeu, envelheceu muito e em poucos anos
Era criança por um lado,
e pensava como gente grande, de outro
Tentou acordar os outros
Mas pouco conseguiu
Tentou ajudá-los
E o que recebeu em troca?
Tanto tentou que um dia cansou
E esqueceu de tudo que aprendera
E não quis mais saber de nada
Se acomodou e fez como os outros
Se encaixou na realidade deles
E apenas aceitou a tudo
Sem questionar e refletir
Como era seu costume fazer
Sua alegria se escondeu
Sua força foi embora
Sua imaginação foi afetada
Não consegue mais sonhar
Não consegue se achar
Está perdido, quase louco
Não quer saber mais de nada
Só quer um pouco de paz e sossego
Aproveitar as horas que passam
Que não lhe falam mais ao coração
E as pessoas que vêm e que vão
Já não fazem diferença
Desconfia de todos
E ao mesmo tempo precisa confiar
Quer confiar, mas não consegue
Já não tem domínio de si
Está, em boa parte, dominado
Sente-se infeliz, incapaz
Não consegue buscar forças
Para se reerguer
Está abatido, apático
Sente-se vazio por dentro
Mas pensa que um dia vai se reerguer
Que vai estar cheio, preenchido
De alegria, amor e de felicidade

Feliz daquele que disse:
"A esperança é a última que morre"
Pois ela ainda está no coração do menino
E vai reconstruir a vida
Vai  tirá-lo das ruínas
Em que ele conseguiu cair
Porque ele ainda é jovem
E, se Deus quiser,
Ainda vai viver muito
E vai superar tudo isso
E vai lembrar-se com orgulho
Da sua vitória


Coragem, menino!
"A vida é longa para você
 desistir no primeiro obstáculo"
Força! Ânimo!
Volto pra mim contente
Pois descobri algo muito importante
Descobri não, relembrei
"A esperança é a última que morre"
E é nela que vou me apoiar
Para me reencontrar
Encontrar meu lugar
Para depois pensar em ser feliz

(tentativa de poema-desabafo da época dos meus 16 anos)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Minha terapia

Hoje eu tive um dia particularmente difícil, depois de precisar resolver alguns problemas pessoais e também de receber uma resposta negativa para algo que estava aguardando. 

Então eu fui jogar futebol e, normalmente, só de correr, suar, chutar a bola, já é possível descarregar bastante a tensão. Com certeza o destino sabia que hoje eu precisava de um pouco mais e eu fiz não um, não dois, mas três golaços chutando forte no ângulo - além de mais um roubando a bola do goleiro. Como disse a uma amiga, esses 3 gols fizeram mais por mim hoje do que fariam 3 meses de terapia.

Mulheres, favor não implicar com o futebol dos maridos. Se vocês soubessem o bem que isso faz, o estresse que tira... Aliás, o que equivale ao futebol dos amigos no mundo feminino? 

Outra coisa que costuma me desestressar é cantar. Quando tudo está desabando eu pego meu violão, vou para um canto e fico ali cantando a plenos pulmões até as coisas amenizarem. E como faz bem, também!

Se nada disso der certo ainda posso escrever, mas essa já é uma alternativa mais perigosa. Escrever nem sempre alivia - às vezes parece mais que estou cutucando as feridas no peito com força, fazendo com que fiquem em carne viva e latejante. Ainda assim, ver um bom texto ou poema pronto depois que a sensação ruim passa muitas vezes vale esse momento que alguns comparam a um parto.

Mas o meu preferido ainda é o futebol. De preferência quando faço os golaços. 

P.S.: Se eu não dormi, então esse ainda vale pelo dia de ontem, não? Meu blog, minhas regras (risos)


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Nunca mudará - música própria

Resolvi deixar uma das minhas composições para hoje. Parceria com Gabriel Naveca, coelga da época da faculdade de Ciências Contábeis na UFAM - curso que abandonei pela metade.

Ouçam sem moderação e compartilhem!



sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dor companheira

É sempre sobre essa dor

Quando oferto um sorriso
Ou quando engulo o choro
Bem lá no fundo
Ela me faz companhia
De tão presente, mal a percebo
E passo os dias sem reclamar
Mas há dias em que, me parece
Ela se ressente pela indiferença
E se esforça para mais dor ser
E machuca com mais força
E ainda que não queira
Sou forçado a reconhecer:
Muito bem, aí está você
O que faço contigo,
Minha única e mais fiel
Companheira de todas as horas?
Eu te rejeito e faço tudo pra esquecer
E tu, mais dor se faz sentir
Para que eu não tenha como te ignorar
E como não sei chorar
E como não sei gritar
Eu te engulo, como choro
E com a voz que me falta
E tento fazer-te canto
E expressar em palavras
Minha exasperação noturna
Para com você,
Minha inimiga íntima,
Minha amiga indesejada,
Cúmplice do meu desespero mudo.

Quando engulo um choro
Ou quando abro um sorriso
- Ó, minha hóspede incômoda!
É só uma tentativa desesperada
De arrancá-la do meu peito,
Seu aposento predileto.
Inútil, como as anteriores
Mas o que se pode fazer,
Além de cantar?

E por isso te ofereço esse canto

quarta-feira, 15 de abril de 2015

“Há tantos caminhos, tantas portas, mas somente um tem coração”

Seguir um caminho próprio, um caminho que só eu posso seguir porque só eu sei o que vai aqui dentro. Se você já leu a citação de Nietcszhe aqui ao lado, sabe quanto o tema me é caro. Também já postei aqui o texto da Clarice Se eu fosse eu, que acho absolutamente incrível. Vezes sem conta na vida me peguei pensando no que eu faria se eu fosse eu. E aí eu entro em contradição, porque também tomei como uma das verdades da vida que somos sempre o melhor que podemos ser em cada momento.  Mas se é assim, posso me perguntar como seria se eu fosse eu?

É sem dúvida um problema complexo, e se torna ainda mais quando pensamos que o que somos é também uma colcha de retalhos das pessoas que nos ajudaram a formar a nossa personalidade. Eu sou aqueles que amo e, em certa medida, aqueles que detesto, porque esses também me ajudam a delimitar quem eu quero ser quando me mostram quem não quero ser. Dito de outro modo, eu assumo para minha vida o que vejo de melhor nas pessoas que amo ou admiro, das coisas que leio, das crenças que adotei e evito, ou pelo menos procuro evitar, ser aquilo que detesto, desaprovo. E assim procuro ser o melhor que posso ser.

Por outro lado, não sou sempre quem eu quero ser e não escolho sempre ser de uma determinada forma: muito do que somos já vem pré-moldado pela sociedade na qual nascemos. Desse modo, ser o melhor que posso ser pode significar adotar o que a sociedade e a cultura na qual estou inserido acha que é o melhor pra mim – e frequentemente o é. Mesmo que, no fundo, eu queira ser outra coisa totalmente diversa.

Apesar de tudo, tô com o Raul e acredito que há uma forma de sermos nós mesmos, seguir esse caminho único que é só nosso e por onde iremos com todo o nosso coração. É quando não nos deixamos levar pela onda e procuramos encarar nossas verdades e nossos demônios interiores para diferenciar aquilo em que acreditamos de fato das vezes em que apenas aderimos sem convicção a ideias alheias. E aí tomamos a coragem de seguir aquele caminho que será só nosso, com a nossa marca e o nosso sangue demarcando o percurso.

Em O Vermelho e o Negro, Stendhal diz numa passagem que “(...)uma das características do caráter é não deixar o pensamento demorar-se nos sulcos traçados pelo comum”.  Seja por onde for, nosso caminho passa por não demorar-se nos sulcos traçados pelo comum, pois, como diz o Raul em outro trecho de Pedro, “cada um de nós é um universo”, com capacidade para achar novas soluções e novas formas de encarar a vida que poderão inspirar nossos entes próximos e quem sabe até as gerações futuras.

Ser quem somos é o nosso maior desafio na vida. E você tem, coragem de encará-lo?

*O título é um trecho da música Pedro, do Raul Seixas

terça-feira, 14 de abril de 2015

Randômicas

1. Cansado demais e hoje ainda é terça
2. Esse ano ainda não soube o que é uma boa noite de sono
3. Extraí 3 sisos na sexta e meu rosto ainda está inchado
4. Também ando muito vadio pros estudos esse ano
5. Estou na vibe metamorfose ambulante, pelo menos no que tange à aparência física
6. Primeira vez na vida que fico barbudo e não acostumei ainda
7. Quando meu bigode nasceu pela primeira vez eu demorei uma eternidade pra tirar
8. Felizmente não tem muitos registros da época
9. Foi também a primeira vez que deixei o cabelo crescer
10. Eu era um cabeludo do bigodinho ralo rs
11. Tentei fazer um cavanhaque uma vez, mas não tive paciência
12. Ficou tipo bigode e barbicha rs mas até que era um visual legal
13. Pensando em tentar o cavanhaque de novo
14. Estou curtindo essa coisa de mudar e postar a foto no facebook
15. Eu que sempre fui reservado, ando exibido nas redes sociais rsrs
16. Aproveitando também essa fase de solteiro, que as pessoas comentam sem medo do que uma namorada diria
17. Falando de coisas mais sérias, descobri que estou no meio de uma experiência negativa
18. Isso porque estudei esses dias para a prova um texto de filosofia que falava sobre o caminho para o pensamento filosófico
19. Resumindo muito, o autor, Gerd Bornheim, vê esse caminho como uma dialética onde se sai de um olhar ingênuo e dogmático para a realidade, passa-se pela experiência negativa e chega-se ao pensamento filosófico
20. A experiência negativa é, grosso modo, uma negação da realidade
21. O indivíduo (eu, no caso) olha para a realidade e não se reconhece nela, acabando por seguir um caminho de introspecção, de recolhimento dentro de si próprio
22. A experiência negativa é egocêntrica: o indivíduo não vê mais sentido na realidade e acaba se fechando dentro de si, ficando em suspenso, flutuando no nada
23. Ela leva ao ceticismo ou ao seu extremo, o niilismo, que é outro conceito complicadinho de falar
24. Eu, que sempre fui uma pessoa de fé, tenho andado mesmo muito cético em relação a tudo
25. Ando relativizando tudo ao extremo, dada a essa incapacidade de chegar a uma verdade inquestionável, o que parece tornar todas as opções ao mesmo tempo válidas e inválidas
26. Como disse outro dia, queria chegar ao gabarito da vida, mas como ele não existe, acabo não vendo muito sentido no que fazemos aqui
27. Acho que não cheguei a experimentar a náusea de Sartre - pelo que li no texto -, mas é certo que estou no meio dessa experiência negativa
28. Só não me entreguei totalmente porque teimo ainda em acreditar em Deus e no amor, apesar de desconfiar da religião, das igrejas, da bíblia e tudo o mais
29. Bornheim defende que para superar a experiência negativa, é preciso abrir-se novamente para a realidade numa atitude de amor e confiança, mas com um olhar filosófico e não com a ingenuidade das ideias pré-concebidas de antes;
30. Seja lá o que isso for, espero encontrar logo o caminho de volta dessa descrença toda
31. Tem uma música do Leoni que fala um pouco disso, de uma forma simplificada
32. "Eu passei um tempo andando no escuro
        Procurando não achar as respostas
        Eu era a causa e a saída de tudo
        E eu cavei como um túnel meu caminho de volta"
33. Agora procurando cavar o meu túnel de volta para a realidade e para alguma crença que me dê uma base
34. Outro dos textos que li falava que no fim das contas tudo é uma questão de crença mesmo
35. A diferença é que filosofando a gente chega à crença por nossos próprios pensamentos, ou seja, a gente cria a nossa forma de crer
36. Ando empolgado mesmo com a filosofia depois dessas leituras obrigatórias rsrs
37. O melhor de arrancar dente é comer sorvete como se não houvesse amanhã e sem culpa nenhuma
38. Comer sorvete com recomendação médica é experimentar um pouquinho do paraíso
39. E ainda tem um pouquinho na geladeira...
40. Vou ali me servir um copo de sorvete Kibon três sabores (sim, quis causar inveja em vocês muahahahaha)

Até amanhã, pessoas!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Foguete

vai subindo para o céu
vai fugindo à minha vista
vai direto para o espaço
vai levando a esperança
de encontrar novas vidas
que tenham inteligência
para trocar experiências
descobrir um novo mundo
em que haja ausência
de ódio e violência
dessa grande ignorância
em que caiu atualmente
a nossa existência
onde o imperador absoluto
é a majestade amor
onde à vida e ao povo
dão o seu valor
onde a fraternidade
é a grande prioridade
e não importando a idade
todos têm felicidade

sim, foguete, vai
vai em busca desse lugar
vai
e não esquece de voltar
volta e vem buscar
o que do homem sobrar
se as coisas que ele cria
podem fazer este mundo
em um segundo acabar

vai
e não demora a voltar
venha nos salvar
dos monstros criados por nós mesmos
que à noite vêm nos assombrar
mas se você quer se salvar
não
não volte para cá
fique por lá e seja feliz
por este mundo infeliz
só lhe faço um pedido:
lembre-se de mim
que te vi partir
cheio de vontade
de contigo ir
de num dia feliz
no espaço sumir
como um dia, foguete
te vi sumir

me perder entre as estrelas
me tornar uma delas
e iluminar este mundo
que está na escuridão
mas por enquanto
sou apenas uma lamparina
que a qualquer momento
pode ser apagada

enquanto estou aceso
procuro iluminar os homens
para que enxerguem
o foguete esperança
que ele pode trazer
a luz de que o mundo precisa

vai, foguete
vai


(Escrito por mim em alguma data do ano 2000)