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Carlos
Manaus, Amazonas, Brazil
Alguém que ainda acredita no conserto do mundo, e que isso se dará através de pequenos gestos, mais do que pelas grandes guerras ou revoluções. Porque, como li em uma carta do Norman Mailer, é preciso fundar um novo homem, não uma nova concepção política ou ideológica, e essa transformação tem que acontecer de dentro pra fora, porque do contrário corremos o risco de estarmos apenas colocando "frutos podres em cestos novos". Tímido, sonhador, sereno, às vezes chato, inquieto, curioso, mas sempre procurando novos amigos, novos cativares, novos laços, pois é isso que levamos da vida, "os raios do sol nos campos de trigo". Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Herança

Andando pelo mundo dos homens,
vi a cor escura no seu olhar
transbordando um sentimento desconhecido.
Sem me apavorar, peguei a lupa da sensibilidade
e examinei cada minúscula partícula desse olhar:
Não havia febre,
Não havia frio,
Talvez houvesse dor
e até paixão;
Mas como medir
Se não soube ouvir os ruídos do seu silêncio?

Um dia foste embora.
De todas as palavras que deixaste,
De todas que fui capaz de guardar,
Nenhuma me disse mais que aquele silêncio profundo,
e aquela escuridão do seu olhar.
Neles, o mistério do teu ser;
Neles, o tesouro - ou a maldição - que não soube alcançar;
Neles, a tua única força capaz de tocar minha alma.

Daquilo que vivemos, essa é a minha única herança.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Música que não sai da cabeça...

Por onde?

Eliana Printes

Composição: Kléber Albuquerque/Táta Fernandes

Por onde passará o amor se a ponte quebrar?
Será que vai por água baixo ou aprende a voar?

Se vai voar até o infinito
Se esquecer de continuar
Ou vai fincar o pé na margem e acenar
Para um ponto qualquer no horizonte
Ou vai descer o rio até chegar no mar
Ou se o amor é a própria ponte
Amor, me diga
Ai, amor, me conte

Por onde passará o amor se a ponte quebrar?
Será que vai por água baixo ou aprende a voar?

Se vai pagar pra ver a flor do abismo desabrochar
Ou vai se consumir até se consumar
Ou vai cair em si do último andar
Saí sem ter paradeiro nem hora pra chegar
Vou conhecer o mundo inteiro e se você chamar
Com meu cavalo ligeiro volto pra te buscar ...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Trechos da entrevista aos membros da comunidade Pequeno Príncipe no orkut - II

Vi seu amor por Manaus, me deu até vontade de conhecer, ehehehehe...
Se a cidade sumisse do mapa, qual seria sua melhor lembrança dela???

Tenho problemas para classificar algo como melhor ou pior, mais ou menos, mas...
A Manaus da minha infância é muito diferente da de hoje. Criança, eu tomava banho no Tarumã. Hoje é uma área residencial, o igarapé tá poluído. A cachoeira das almas é outra lembrança boa. A própria Ponta Negra, que já foi o principal balneário daqui, hoje é poluída demais, embora ainda há quem tome banho. De certa, forma a minha Manaus já me escapa um pouco pelos dedos.

Mas com certeza ficariam o Teatro Amazonas, a Igreja São João Batista, o Palácio Rio Negro, a imagem do Porto de Manaus, da escadaria, o porto de São Raimundo, as pessoas embarcando e desembarcando. A Praça do Carangueijo, onde já namorei, fechei todos os bares com amigos, comemorei vitórias, derrotas, assisti jogos do Flamengo. O colégio IEA antes da reforma, onde estudei por 3 anos e fiz amizades incríveis, aprendi tanta coisa boa. A Igreja de Nossa Senhora Aparecida, onde ia para as novenas às terças quando pequeno, e a feirinha itinerante que ficava na frente às terças, onde sempre comia pastel com caldo de cana. A praça da Glória, onde já fiz tantas brincadeiras com meus amigos da igreja, como Escravos de Jó, aquelas de bater palma, ou apenas tocar violão, conversar e merendar. (O pessoal da comunidade Sagrado Coração de Jesus é bem criança, que nem eu. A gente brincava até de manja-pega [pega-pega]) A Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Santo Antônio, onde me crismei e fiz amizades extraordinárias também.

Enfim, fica difícil escolher a melhor, né? rs Eu sou um colecionador de lembranças!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Trechos da entrevista aos membros da comunidade Pequeno Príncipe no orkut

Semana passada eu fui entrevistado pelos membros da comunidade do Pequeno Príncipe no orkut. Cada semana um dos membros é entrevistado por todos.
Como o pessoal me colocou pra pensar mesmo e acabei gostando de algumas respostas, resolvi postar trechos aqui no blog.

Aí vai o primeiro:

O que vc aprendeu com o último relacionamento?

Tantas coisas que não caberiam nessa entrevista inteira, Tânia. Em primeiro lugar eu aprendi o que é um amor de verdade. Havia cumplicidade. Havia sinceridade. Havia diálogo. Havia duas pessoas que partilhavam tudo, que queriam sinceramente ser um.
Eu me relacionei com uma grande pessoa que, apesar de todas as nossas diferenças, me ensinou muito sobre a vida e com quem aprendi muitas coisas juntos. Foi a primeira pessoa com quem fiz amor (veja bem: amor e não sexo apenas); foi com quem partilhei os melhores e os piores momentos durante quatro anos; foi uma pessoa que, com as suas limitações, fez de tudo pra me ver feliz e so doou por inteiro ao relacionamento, coisa que eu não fiz e que aprendi com ela como se faz.

Aprendi com ela sobre amizade, sobre se importar com os outros, sobre como demonstrar carinho - eu sempre fui fechado e isso passava uma imagem de frieza. Aprendi a trocar o preto e o cinza pelo azul, laranja e o verde. Aprendi coisas demais, Tânia, querida.

A última - e a mais dolorosa - é que um grande amor também acaba, mesmo que a gente não queira acreditar. Mesmo que a gente faça de tudo pra reacender aquela brasa que teima em arder lá no fundo. O amor também pode acabar. Basta se descuidar um pouquinho cada dia, durante meses, anos, que o desamor vai entrando devagarinho, como a chuva erodindo o solo, anos a fio, e quando percebemos, há um abismo entre nós e o ser amado, e quadno vamos dar um passo em direção a ele, o abismo nos consome.

Mas é possível amar de novo. Sempre.
E eu estou me preparando para a próxima primavera, adubando o coração para plantar amores-perfeitos, ou quem sabe apenas um amor-perfeito que viva tanto quanto eu.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Contatos músicais

Procurando possíveis parcerias pela internet olha só os músicos que encontrei:









Trata-se da dupla Moppy e Witje, que foi adestrada pela fotógrafa Ellen van Deelen, de 51 anos.

Mais informações, vejam a notícia clicando aqui: BBC Brasil

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

De como decidi cantar na noite

Como prometi no twitter, vim falar sobre a apresentação de sábado.

Na verdade essa história de tocar na noite vem amadurecendo desde o ano passado, quando eu e o meu amigo Vítor começamos a conversar sobre a possibilidade de tocarmos juntos. Eu toco e canto e ele idem, e nossos repertórios são diferentes, daí pensamos que a soma daria um bom resultado. Eu estou mais na área de mpb e rock anos 80; ele já conhece as mais atuais e sertanejo, coisas que o pessoal também pede, dependendo do local. Nós iríamos tocar em uma choperia perto da casa da minha mãe (na época eu morava lá, ainda) em janeiro, mas uma gripe e vários contratempos atrapalharam nossos planos. Dessa época nós só tivemos alguns poucos ensaios e um pequeno repertório montado.


O tempo passou, eu voltei a estudar, ele estava trabalhando muito e a ideia foi ficando adormecida. Aí, há algumas semanas atrás ele conheceu a cantora Eva Pinheiro, que já está a alguns anos cantando na noite, quando esta fazia uma apresentação na empresa em que ele trabalha. No intervalo, ele pediu pra tocar uma música, ela gostou e disse que poderia indicá-lo pra tocar em um barzinho onde ela já havia se apresentado. Mais ou menos ao mesmo tempo, uma amiga que ainda não tinha me visto tocar e cantar, mesmo depois de dois anos de amizade, viu, ouviu e gostou muito. Daí ela me perguntou se eu gostaria de cantar na noite, pois ela tem uns contatos e poderia, inclusive, me empresariar, caso eu me interessasse. Foi o suficiente para o projeto ressurgir e ir ganhando cores novamente.

Começamos de novo a pensar em repertório, a conversar sobre o que poderíamos fazer, mas demoramos a fazer contato com a dona do bar onde iríamos tocar e a ideia estava esfriando de novo. Mas no domingo da semana passada (16/08), depois de ir ao cinema no shopping Millenium com amigos, resolvemos comer uma pizza no Confrade Café Bar, que fica no Parque dos Bilhares, bem ao lado do shopping. Na hora de pagar eu percebi que o dono era outro e resolvi puxar assunto. Não sei de onde arranjei coragem pra me oferecer pra cantar lá, caso ele estivesse interessado. E não é que ele aceitou!? Marcamos um teste na terça (18/08) pra ele ver o repertório e a minha performance.

Quando saí de lá fui me tocar que eu não tinha nada: nem repertório, nem aparelhagem, só a voz, o violão e um cabo pro violão. Liguei pro Vítor pra avisar que iríamos tocar na terça, às 19:30, e com a intenção de dividir a responsabilidade da montagem do repertório, mas aí ele me lembrou que trabalha no segundo turno em uma cozinha industrial e só sai às 22 horas. Tinha que ser eu e eu mesmo. Quase não dormi de domingo pra segunda: acordei às duas da madrugada com a cabeça a mil e só consegui dormir às 5 da manhã da segunda. Então, nesse dia não produzi nada.
Na terça fui comprar microfone, pedestal, estante para partitura - eu não leio partitura, mas precisava ter onde colocar o repertório - enfim, algumas coisinhas básicas. Pra isso precisei fugir do trabalho à tarde. Quando cheguei dessas comprinhas, fui ensaiar algumas músicas e acabei forçando demais a garganta. Chegada a noite, estava com a garganta seca e sem pique pra tocar muito. Ainda bem que só deu um cliente, fora os meus amigos, rs. Toquei uma hora e meia só pra mostrar o repertório pro dono do bar e acabei sendo cumprimentado pelo único cliente que eu não conhecia, mesmo não tendo tocado Bruno e Marrone pra ele. Foi aí que consegui fechar pra tocar no sábado.
Bem, por hoje a história fica por aqui, até porque já está bem grande, mas logo falo sobre os acontecimentos depois do teste da terça. Até logo, pessoas!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Meu perfil no orkut: tá bonitinho, não tá?

Bem, eu sou o Carlos Augusto, mas os mais íntimos me chamam de Guto. Eu gosto do meu nome e do apelido tbm, mas prefiro que a pessoa me chame pelo nome que conheceu.
Não sei de muita coisa, geralmente me interesso por coisas que tenham significado essencial para mim. Talvez por isso não entenda nada de carros, muito pouco sobre finanças ou economia, mal conheço a cidade onde moro, mas sou capaz de me enternecer com um cartão recebido no aniversário de 16 anos, ou ouvindo músicas que me lembram pessoas queridas, entre outras coisas do tipo.

Sou muito tímido, dificilmente inicio uma conversa e no meio de muita gente eu geralmente fico calado, o que sempre foi um problema na hora de arrumar namoradas, rs. Entretanto, se me torno seu amigo, sou uma pessoa transparente e vc saberá tudo de mim; por isso escolho a dedo meus amigos, pois não sou muito de ter segredos e gosto de confiar inteiramente nas pessoas com quem me relaciono. Sou um amigo fiel e leal e geralmente me torno confidente das pessoas, mesmo as não tão próximas, e isso acontece desde quando eu era muito novo. Por isso, acho que inspiro confiança.

Sou indeciso, nunca vou ser eu a decidir, por exemplo, a data, a hora e o local pra onde vamos sair. O máximo que eu consigo é dar duas ou mais opções que eu prefiro, rs.
Sou lento; esse é meu ritmo e já aprendi a me aceitar assim. Sou mais de reflexão que de ação e não sou a pessoa mais indicada para acões que exijam decisões rápidas ou muita iniciativa. Funciono bem quando está tudo programado e bem pensado.
Por outro lado, adoro improvisar quando o assunto é festa entre amigos, passeios e afins. Alguns dos melhores momentos da minha vida ocorreram em festas e passeios improvisados, pois até os contratempos se tornam motivo de risadas depois de superados.

Adoro conversar. Perco noites de sono, mas não perco uma boa conversa. Já amanheci algumas vezes batendo papo, tendo direito apenas a um cochilo antes de ir trabalhar.

Quer me dar presente e não sabe o que? Dê-me um livro ou um CD. É a forma mais fácil de me satisfazer, rs. Já fiquei feliz por ganhar um simples lápis da namorada, pois ela conseguiu dar um valor essencial a ele tornando-o especial. Então é isso: deixe algo como um "campo de trigo" e já me fará feliz.

Teria muitas coisitas mais pra dizer, mas ser alguém é complicado, pois sempre estamos mudando, então o ideal é mudar isso aqui de vez em quando.

Querendo saber mais, me add e travemos conhecimento!

(link pro meu orkut ao lado)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

É nóis na fita, mano!

Amigos, no sábado o point é no Parque dos Bilhares, o Confrade Café Bar, onde estarei fazendo uma apresentação com voz e violão apartir das 20hs. Compareçam, digam que me amam, cantem junto e façam bracinho, tá bom? Até lá!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

News

1. Daqui a algumas horas, estarei me apresentando no Confrade Café & Bar, localizado no Parque dos Bilhares bem na entrada pela Djalma Batista. A apresentação de voz e violão, é minha primeira desde que decidi cantar profissionalmente no final do ano passado. Vinha adiando, adiando, e daí resolvi por um impulso começar o quanto antes, mesmo sem pasta de repertório, aparelhagem ou planejamentos de qualquer ordem. Que a força dos acasos me tragam boa sorte!

2. O fato de estar morando sozinho me deu uma tranquilidade e tempo que nunca tive para ler e escrever. O resultado é que as ideias pululam por todos os cantos da mente e qualquer pequeno acontecimento cotidiano já se torna ideia e embrião de um novo texto, seja conto, poema, crônica ou qualquer outro formato que eu venha a utilizar. No momento são dois os principais projetos literários: um conto sobre infidelidade e um romance sobre a amizade de um padre e um adolescente que aspira a vida religiosa. Mais detalhes nos próximos capítulos. Além disso, recebi o convite de um amigo poeta pra participar de uma zine, com o objetivo único de espalhar literatura pelas escolas da Zona Norte de Manaus e quem sabe contagiar os estudantes com essa pulga atrás da orelha que nos leva a escrever.

3. Amando ler, além do já citado livro do Milan Kundera, 125 Contos de Guy de Maupassant - cujo nome do autor está incluído no título - e Cidade Ilhada, do Milton Hatoum. Aliás, super recomendo os romances do Milton Hatoum - Relato de um certo oriente; Dois irmãos; e Cinzas do Norte - todos vencedores do Prêmio Jabuti na categoria melhor livro do ano. Além disso, iniciei a leitura agradabilíssima do livro Para ler como um escritor, de Francine Prose, pela indicação de um amigo da blogosfera, o Alex. A ideia principal do livro é a leitura atenta (close reading), método pelo qual se pretende ler nos textos a justa colocação das palavras como base principal para entender como o escritor criou os personagens, as falas, os capítulos, enfim, a história, sem recorrer a análises históricas ou sociológicas, mas prendendo-se apenas ao texto em si. Serve tanto a quem quer ser escritor, como a quem quer ser apenas um leitor atento.

Em breve um texto sobre o filme que assisti no domingo, Marido por acaso, uma comédia romântica - sim, eu adoro comédias românticas.

Boa semana a todos!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Ai ai ai...

Se uma mulher cantasse Case-se comigo da Vanessa da Mata pra mim, eu casaria na mesma hora. Aliás se uma mulher cantasse e compusesse como a Vanessa da Mata, eu mesmo pediria em casamento.
Pensando bem, alguém tem o e-mail, celular, orkut da Vanessa da Mata?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Divulgando

Acabei de levar um belo de um pé-na-bunda e resolvi criar uma comunidade pra ao menos me divertir e ao mesmo tempo ganhar força pra superar esse momento.

Ex? Nunca mais!

Quem estiver numa situação parecida ou quiser participar pra dar uma força, taí o link.

Abraços, pessoas!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A insustentável leveza do ser

Sim, sim, esse é o nome do livro do Milan Kundera. Aliás, livro maravilhoso! Comecei a ler no fim-de-semana e não consigo largar. Veio a calhar com o meu momento. Providência divina? Destino? Sei não. Acho que as coisas estão sempre ligadas. Sempre com algum propósito misterioso.
A vida tem um jeito estranho de nos levar pra onde ela quer. Aliás, vou já criar um post falando sobre isso, que é outro assunto. Vim aqui, agora, pra postar um texto meu que já postei no blog antigo, pois o texto do Kundera me lembrou muito ele. Aí vai:


Um caminho

Ele caminhava: mãos no bolso, cabelo ao vento, cheio de uma liberdade tão plena que chegava a oprimir (porque a liberdade pode ser tormenta para quem não a conquista com luta, suor e sangue). Caminhava, passos lentos, reflexivos como ele todo. Caminhava e era como se não estivesse ali, como se pisar o chão fosse uma opção, como se viver na Terra ou em outra galáxia fosse nada mais que uma opção, tal era a dimensão da liberdade que o aplacava. As pessoas passavam ao seu lado, poderiam tocar nele, embora ele estivesse intocável, invisível, embora ele não estivesse ali. Mas havia o caminho, os olhos voltados para os mundos possíveis, as mãos desenhando precisas na tela do espaço vazio o esboço dos projetos que fazia sem o compromisso da realização. (Aliás, o compromisso era o que mais temia e o que teria o poder de contaminar o sabor da liberdade que ora experimentava.) Caminhava, e a leveza com que caminhava era a finalidade do caminho, um ato gratuito que se permitia e o peso de um simples pensar em compromisso poderia desfazer as frágeis nuvens de leveza que o cobriam. Caminhava, simplesmente, passos no caminho que não levava a um destino.

(Até que a liberdade se tornasse novamente apenas o sabor de uma lembrança e um ideal a ser alcançado.)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Você conhece o seu lugar?

Ontem eu fiquei até bem tarde assistindo televisão. Normalmente não assisto TV, mas como tô sem internet, acaba sendo o jeito assistir os canais da NET mesmo (com o perdão do trocadilho)... As oportunidades para uma reflexão nos surgem das mais variadas formas e é muito provável que se estivesse com internet não assistisse ontem ao debate na TV UFAM (Universidade Federal do Amazonas) que só me chamou a atenção pela presença do poeta Thiago de Melo - o autor do famoso poema Os Estatutos do Homem.

O poeta, um amazonense de Barreirinha, município do interior do estado, viajou o mundo na época da ditadura, período no qual esteve preso duas vezes, lutando pela instauração de uma sociaedade mais justa e igualitária. Foi amigo íntimo de Pablo Neruda, trabalhou com Allende no Chile e com o golpe de Pinochet foi parar na Alemanha, como professor de Literatura da América Latina.

Pois foi justamente partindo da sua experiência ao travar conhecimento com os alunos alemães que Thiago de Melo trouxe um alerta para a comunidade científica da UFAM. "Os cientistas estrangeiros sabem mais da amazônia que nós." E contou como os alemães encheram ele de perguntas das quais ele sequer imaginava a resposta. Gostaria de lembrar quais eram as perguntas, porque eu também não sabia as respostas.

Imediatamente fiz o link com um conto do Milton Hatoum que li no domingo, sobre um japonês que sonhava conhecer o Rio Negro, o maior afluente do Rio Amazonas. A narradora, uma pesquisadora da UFAM, teria acompanhado o cientista na sua primeira viagem pelo Negro e se impressionara com o conhecimento do japonês sobre o lugar e em determinado momento chega a afirmar que parecia mais uma viagem de reconhecimento, de tanto que ele sabia os nomes e as informações técnicas sobre o lugar.

O debate era para a comunidade científica, mas bem que o alerta do poeta e de Hatoum podem servir para todos nós. Como podemos defender um patrimônio que desconhecemos completamente? Estamos falando da Amazônia, mas também podemos incluir nesse pacote o cerrado, o Pantanal e o que restou da Mata Atlântica. Porque é um patrimônio natural nosso, uma riqueza cada vez mais escassa no mundo e que não está sendo aproveitada, aliás, está cada vez mais ameaçada pelo nosso modelo de desenvolvimento, pelas pessoas que agem na ilegalidade (madeireiros, grileiros) e talvez por outras ameças que desconheço no momento.

Ano passado li uma esclarecedora (pelo menos para mim) matéria sobre a Mata Atlântica na National Geographic, pois nela havia um dado que desconhecia: o período de maior desmatamento nela não foi no período colonial - com a exportação de pau-brasil, cana-de-açúcar -, nem no império, mas no século XX!

A mesma coisa está acontecendo com a selva amazônica. Estão querendo aprovar a construção de estradas, hidrelétricas e demais demandas do desenvolvimento sustentado sem o devido estudo do impacto ambiental e, com certeza, sem pensar na vida das pessoas que moram na floresta e tiram dela seu sustento, incluindo-se aí as nações indígenas.

Por isso se faz necessário que nós, cidadãos comuns, também estejamos a par do que estão fazendo do nosso patrimônio natural os nossos congressistas, os nossos governantes, pois das decisões deles depende o futuro da floresta, do cerrado, e talvez, da vida. Assim, se algum dia você tiver condições de viajar pra outro país ou travar conhecimento por aqui mesmo com um estrangeiro, poderá se sair melhor do que Thiago de Melo à época de sua estada na Alemanha.

sábado, 18 de julho de 2009

Divulgando...

Pessoas, alguém aí gosta de histórias sobre zumbis?

Alguém aí já ouviu falar no dia Z, ou já se prepara pra uma catástrofe do tipo Resident Evil ou coisa parecida?

Bem, pode parecer estranho, mas eu estou escrevendo junto a outros dois amigos um diário de como reagiríamos caso isso realmente acontecesse. É um exercício interessante e foi o que me fez voltar a escrever depois das crises de ansiedade que vinha tendo desde maio.

Trata-se do blog Apocalipse dos mortos: diário dos sobreviventes. Querendo, dêem uma olhada por lá de vez em quando. Já postei alguns textos lá e a história já está rolando.

Alguém interessado? Se quiserem participar da experiência, ainda está no início, podemos conversar.

Espero voltar aqui em breve com um novo texto.

Um abraço, pessoas.

P.S. Quem ainda não votou no Experimentando-me - e quiser votar, lógico - o prazo para votação popular está acabando.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

40 lembranças de escola

1. Já fui o melhor aluno da turma (da primeira à quarta série).
2. Da primeira à terceira, estudei na escola São Francisco, uma escola construída pela associação do bairro onde morava. O meu avô era tesoureiro e eu dei minha contribuição na construção dela. Ajudei a quebrar a pedra brita com meu martelinho, rs.
3. Nessa época, fui apaixonado por uma coleguinha de classe, a Hecsandra (nem me lembro se era assim que escrevia). Ela nunca soube.
4. Por ela eu arranjei minha primeira briga na escola.
5. Um colega daqueles mais bagunceiros mexeu com a melhor amiga dela, a Ana Catarina; ela foi defender, o menino engrossou pro lado dela e foi aí que eu me meti na história.
6. Aos 8 anos eu era mais valente que hoje.
7. Ele prometeu me pegar na saída.
8. Do lado de fora da escola ele veio cumprir a promessa.
9. Muitas crianças fizeram uma roda.
10. Não precisei mover um dedo. Dois colegas que eu nem sabia que gostavam de mim deram conta do indivíduo.
11. Foi uma das poucas aventuras que vivi na escola, pois sempre fui muito discreto, muito na minha.
12. A primeira e única vez que fiquei de castigo foi na terceira série.
13. O Professor Luís, que era o carrasco da escola, me pegou conversando (na verdade estava pedindo uma borracha emprestada) e bateu com o apagador na minha carteira.
14. A Diretora e os funcionários acharam engraçado eu ficar de castigo, pois minha fama de bom aluno era reconhecida na escola, que era beeeem pequena.
15. Ainda lembro da primeira vez que fui sozinho pra escola.
16. Tinha 5 anos e a escola ficava a 4 quadras de casa. Me senti tão orgulhoso de chegar lá!
17. Meus melhores amigos nessa escola foram o Denis e o William.
18. A gente trocava figurinha, jogava videogame e bolinha de gude. Nunca mais os vi.
19. Tinha também o Johnnatan, que anos mais tarde aprendeu a tocar violão junto comigo.
20. No pré-escolar, a professora Elza me dava carona de volta pra casa. Eu adorava. Nem me lembro qual era o carro dela, mas parecia tão grande na época!
21. Na terceira série, me vesti de São Francisco no arraial da escola pra cantar a oração atribuída a ele.
22. Dancei quadrilha nas três primeiras séries. Infelizmente a Hecsandra nunca foi meu par.
23. Lembro que fiquei muito impressionado porque o Jorge Tufic, o cara que escreveu o Hino do Amazonas, foi visitar a nossa escola e deu autógrafos pra gente.
24. Pra mim os caras que tinham escrito os hinos já estavam todos mortos. Por isso tive a impressão de que ele era muito velho, imaginava ele com mais de cem anos, rsrsrs
25. Na quarta série mudei de escola, porque essa só era até a terceira. Foi um ano ruim, fui muito perseguido por três alunos que eram mais velhos, porque eu tirava notas boas e a professora gostava de mim.
26. Eles me chamavam de cara de porco. Riscavam meu caderno e minha agenda (eu usava a agenda nessa época, hoje não uso mais, rs). Uma vez um deles me fez medo com um canivete.
27. Por isso fui pra outra escola no outro ano. Consegui uma bolsa parcial numa boa escola. O nível era mais alto do que eu estava acostumado e pela primeira vez na vida eu não era o melhor da classe, posto ocupado pela Vívian, filha da Diretora.
28. Nessa escola tive outra paixão platônica, a Daiana, uma moça branca, loira, alta e magra. Eu adorava o sorriso dela.
29. Eu era da quinta série A e ela da quinta B. Ainda fiz amizade com a melhor amiga dela, a Vanessa que tentou agir de cupido, mas eu era muuuuuito tímido e nunca rolou nada além de troca de olhares.
30. A professora que mais gostei dessa escola foi a Gorgonha, de Educação Física. O pouco que eu sei de vôlei, basquete e atletismo, foi ela quem ensinou.
31. Daí a bolsa não renovou e eu fui pra escola pública na sexta série. Era uma turma complicada, bagunceira, mas a escola era boa, apesar das limitações.
32. Lá ganhei o apelido de Tanaka, no auge daquele personagem da A Praça é Nossa. Curtiram tanto com a minha cara! Eu levava na esportiva.
33. Dessa escola o mais marcante foi minha equipe ter ganho a feira de ciências na sétima série falando sobre tratamento de esgotos.
34. Mais gostoso que ganhar a feira de ciências foi visitar a Philips de Manaus, onde fomos ver como eles tratam o esgoto. Lá a gente viu a linha de produção e - o principal - nos deram um lanche farto, lembro que fiquei cheio de tanto que comi, rs.
35. Outro momento marcante foi quando, já na oitava série, meu time ganhou o torneio da escola com gol meu na final. Foi a glória! rs
36. Não estudei o suficiente e mesmo assim por pouco não entrei na antiga Escola Técnica Federal daqui, nem na fundação Mathias Machilini e meu pai ficou p. da vida comigo, mas acabou sendo bom.
37. Acabei no IEA, uma escola pública de curso técnico em Magistério que tinha o ensino excelente à época. Era por semestre e os professores faziam a gente ler muito e debater em quase todas as aulas.
38. Lá reprovei a primeira e única vez antes da faculdade. Foi em Artes (vergonha!). Fiquei na dependência.
39. Foi lá que cantei pela primeira vez em público fora da igreja, em um festival de música. Interpretei a música de uma colega que ficou em quinto lugar, entre 30 selecionadas. Até que a era uma boa música.
40. Ainda teria muitas histórias como no dia em que... bem, fica pra outro dia, rs.

National Geographic POD