quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Seria o homem um vírus?

Foi em 2002 que pela primeira vez prestei a atenção nessa frase. O meu professor de Introdução à Sociologia pediu uma análise do filme Matrix, com a intenção de nos mostrar como a nossa sociedade exerce o controle sobre cada um de nós, mas o que mais me impressionou foi a cena em que um daqueles agentes da Matrix, em diálogo com o Neo (Keanu Reevers), afirma que a raça humana era para o planeta Terra como um vírus. E não é que faz sentido? Nós nos proliferamos com uma rapidez exponencial, devastamos o meio ambiante, desequilibramos os ecossistemas, o clima, a vida. Se considerarmos a Terra como um ser vivo, nós a estamos matando, como um uma doença viral faz com a gente. E ela não está sendo capaz de nos eliminar com seus anticorpos: tempestades, tsunamis, furacões. Não faz sentido?

Ontem, assistindo o filme O dia em que a Terra parou, essa idéia me perturbou novamente. Em uma cena, Klaatu (Keanu Reevers, novamente), um ser alienígena que assumiu a forma de um ser humano para cumprir sua missão, diz à cientista que o acompanha que a raça humana está matando a Terra.

"Se a Terra morrer, o homem morre. Se o homem morrer, a Terra sobrevive."

Entretanto, o filme acena para o fato de que é nos momentos de crise que as civilizações evoluem. Será que nós, seres humanos já nos conscientizamos da crise já instalada em nosso planeta? Os dados previstos pelos cientistas podem ser por demais alarmantes, mas é inegável o impacto da ação do homem no clima e no equilíbrio do planeta, em geral.

Acompanhando o argumento do filme, eu respondo à pergunta do título da seguinte maneira: o ser humano não é um vírus, mas age como um. Daí algum leitor pode me perguntar: faz diferença? Sim, uma diferença enorme, porque se consideramos isso como uma questão de atitude, podemos educar os futuros homens para não agirem como vírus, mas como aquelas bacteriazinhas que ajudam na flora intestinal, por exemplo. Assim poderíamos mudar nosso estilo de vida para tentar reparar os estragos que já fizemos na Terra.

Sempre acreditei que é através das pequenas ações que esse mundo será mudado. Você, que hoje lê esse texto, tem agido como um vírus, matando o planeta que o hospeda? O que pretende fazer para não matar o hospedeiro e, por conseqüência, a si mesmo e a sua descendência – ou, quem sabe, sua espécie?