quarta-feira, 25 de março de 2009

Mensagem a um bebê que foi salvo depois de ter passado 24 horas enterrado

Li nesse instante um e-mail com a notícia de que um bebê foi salvo por policiais depois de ser enterrado vivo pela sua mãe. Havia terra na boca dele. Havia moscas. 24 horas foi o tempo estimado entre o ato criminoso da mãe e o socorro. Ele sobreviveu. Final feliz. Feliz?

O que será dessa criança quando souber que foi enterrada viva logo ao nascer? Será que terá um lar, uma família, alguém que lhe dê carinho e cuidado? Pode ser que sim devido à publicidade do caso. Caso encontre conforto em uma família, será grata por ter encontrado um lar ou vai desejar nunca ter sido salva do buraco onde sua mãe a enterrou?

É, criança, o mundo é bizarro. Tua mãe tentou te matar no teu primeiro dia de vida fora do útero. Talvez já tenha tentado antes, quem sabe? Se ela teve coragem de te enterrar depois de te ver e te tocar! Mas ela não será a única. Desculpe te dizer, mas o mundo te será hostil por muitas vezes. Tomara que você tenha sorte e não vá parar num orfanato. Ou na rua. Ou numa casa onde não te amem. Você pode encontrar uma família boa, bons amigos, uma boa vida. Mas ainda assim esse mundo te será hostil. Um belo dia alguém vai te apontar uma faca ou um revólver e te tomar tudo o que tens no momento. Se for a primeira vez, entre os bens perdidos constará a tranqüilidade de andar pelas ruas sem medo. Medo de ser assaltado, medo de ser agredido, atropelado, de bala perdida, medo, medo, MEDO!

Apesar de tudo você inda pode ser forte e resistir a tudo isso. Ainda mais você, que sobreviveu um dia debaixo da terra, que já esteve perto de conhecer a morte. Espero que encontres na vida força para enfrentar aquilo que tentar te tirar a vida e a dignidade de ser humano. Assim como encontraste no primeiro dia da tua vida.

Perdoe a amargura.

Perdoe a secura.

Estou muito adulto hoje.