quinta-feira, 4 de março de 2010

Eu mesmo não gosto, mas como minha mãe assiste...

Quem nunca ouviu uma frase do tipo? Antes era muito usada por homens e gente que se considerava superior aos pobre ignorantes que se deixavam alienar pelas telenovelas. Hoje, que a telenovela já é quase uma, er, paixão e motivo de orgulho nacional - ainda mais com o prêmio recebido por Caminho das Índias - creio que nem os homens tem mais vergonha de se assumirem amantes da teledramaturgia. Porém essa frase tem sido muito usada hoje para esconder a atração que outro tipo de programa televisivo (não menos alienante e improdutivo) exerce: os reality shows.

Domingo, durante uma discussão sobre o BBB na TV Brasil, uma psicóloga que participava da conversa disse não assistir o programa. Entretanto, quando eram citados certos episódios, lá estava ela opinando com propriedade, utilizando detalhes dos acontecimentos dentro da casa para ilustrar suas críticas. Daí eu pensei: mas como, se ela não assiste? Daí algum leitor poderia dizer que para criticar é preciso conhecer. Tudo bem, mas foi ela mesmo quem disse que não assiste. Então seria mais correto ela dizer que assiste com olhar científico. Pegaria menos mal.

Não obstante, a psicóloga é apenas uma entre muitos que negam ceder à atração que o BBB exerce. Eu mesmo já declarei muitas vezes que não assisto, embora vez em quando (acompanhando a mãe, a namorada) dê minhas espiadelas. Isso não significa que eu tenha passado para o grupo dos aficcionados, que não perdem um paredão por nada, e ficam com calos nos dedos de tanto votar em quem querem ver fora da casa. Eu diria que minha relação com o BBB é mais como acontece com aquelas músicas que a gente nunca em sã consciencia colocaria para tocar no Ipod, mas que de tanto ouvir por aí em todos os lugares, acaba aprendendo (tipo Festa no apê, do Latino).

Outra comparação que acabou de me ocorrer: telespectadores de BBB e consumidores de álcool. Não tem tudo a ver?

Ambos os produtos são ruins e fazem mal à saúde mental e física, mas mesmo assim a grande maioria da população consome. Alguns esporádicamente, apenas para se distrair quando não há nada de interessante pra fazer. Outros com alguma frequência, tipo sexta-feira depois do trabalho (ou terça-feira de paredão). Há ainda aqueles que não conseguem viver sem uma dose diária. Mas o pior de todos é aquele que não tem hora para consumir: são os alcoólatras ou assinantes de BBB pay-per-view. Para esses, só os AAs da vida.

E você, em qual categoria se insere? Ah, sei, dos que não assistem, né. A não ser quando vai na casa da vizinha e...