segunda-feira, 14 de junho de 2010

10 dias em Tabatinga

Às 09:30 da manhã do dia 23 de maio, o piloto do vôo da Trip descrevia os procedimentos de emergência enquanto a bela aeromoça loira de olhos verdes e com o característico penteado impecável fazia a demonstração visual da sua fala. Finalmente o avião levantava vôo e eu estava saindo de Manaus com destino a Tabatinga. Comigo, pude identificar no avião que não estava cheio servidores da CGU, militares e policiais federais. O piloto, terminados os procedimentos de decolagem, anuncia os 7 graus negativos do lado de fora da aeronave e 26 graus em nosso destino. "Graças a Deus um clima mais ameno que em Manaus", pensei. Mergulhei na leitura de O Vermelho e o Negro, de Stendhal, e assim nem vi passar as 02:40 minutos de viagem. Só notei que o tempo previsto estava perto do fim quando começamos a descer em meio a nuvens densas que ocupavam o céu tabatinguense sem, no entanto, causar o menor problema aos procedimentos de pouso, como bem havia previsto o piloto, além de nos avisar, para meu desânimo, dos 36 graus que nos esperava em solo tabatinguense. Logo senti na pele a sensação desse calor ao descer do avião no Aeroporto Internacional de Tabatinga. O nome me fez logo pensar de quais países o aeroporto recebia vôos...

O motorista encarregado de nos levar ao hotel,  avisa que um grupo de colegas está reunido no clube dos sargentos. Deixamos a bagagem e fomos diretamente para lá, onde encontramos um pessoal animado servindo feijoada e preparando os instrumentos para uma roda de samba. Com o calor imenso que fazia, lamentei muito não ter ido preparado para um banho de piscina... Contudo a recepção não poderia ter sido melhor: tarde de domingo com sol, feijoada, cerveja gelada e roda de samba de qualidade. E isso foram apenas as primeiras horas de viagem.

À noite, depois do asseio, fomos ao lanche do gordo, recomendado como o melhor da cidade. Depois de uma looonga espera - que mais tarde notei não ser exclusividade desse lanche - pude provar o famoso suco de amora, recomendado por alguns colegas de Manaus, onde não é encontrado em lugar algum. Nos primeiros goles eu gostei muito, mas depois achei um pouquinho enjoativo.

Lanche feito, voltamos ao hotele outro colega de Manaus que também está a serviço na cidade, me levou para conhecer um dos points da cidade, o Restaurante, lanche e bar Boa mesa. Lá estava se apresentando a banda Pulsação, formada por 4 integrantes - baixista, guitarrista, baterista e o tecladista e vocalista - com um ótimo e variado repertório que ia de rock dos anos 80 a brega, fechando da malhor maneira a primeira noite de viagem.

Para quem nunca ouviu falar em Tabatinga, deixo aqui algumas informações básicas. A cidade situa-se na chamada tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru (Tabatinga - Letícia - Santa Rosa, respectivamente). Tabatinga e Letícia são separadas apenas por um posto de fronteira no local onde termina a Avenida da Amizade e começa a rua... bem, começa a Colômbia. (Tá, tá, eu sei que deveria ter perguntado o nome da rua). As duas cidades parecem uma só;. Há muitos tabatinguenses trabalhando em Letícia e o inverso também acontece. O peso colombiano e o real são moedas aceitas em ambas as cidades e quando se quer simplificar o cambio, 1 real e 1000 pesos se equivalem. Nas danceterias música a música latina e a brasileira (forró, pagode, boi bumbá) dividem igual espaço. Já Santa Rosa, fica do outro lado do Rio Solimões. Não tive oportunidade de conhecer Santa Rosa, mas os colegas me informaram que os peruanos dominam o comércio informal nos arredores do porto de Tabatinga.

A Avenida da Amizade, principal via de Tabatinga, inicia-se no Aeroporto e termina na divisa com a Colômbia. Para se ter uma ideia do seu tamanho, é possível tranquilamente chegar em 20 min de carro do Aeroporto a Letícia. Nela situa-se quase tudo de importante na cidade: prefeitura, comércio, lanches, restaurantes, órgãos federais, batalhões do exército, bancos, o único hospital da cidade - que é militar - e o único semáforo também (os 10 dias não foram suficientes para compreender a necessidade de um semáforo, mas tudo bem). Está sempre repleta de motos, que transitam inclusive na chuva e a velocidade média da pista é de 50 km/h. Foi uma das coisas que mais estranhei nos dois primeiros dias, mas logo compreendi que mais rápido que isso é facinho de acontecer um strike de motos. No final de semana à noite, os lanches e bares da se enchem de gente tomando cerveja ou lanchando, muitos só esperando o momento de ir pra Scandalos, a única danceteria da cidade. Mas vamos com calma, logo voltaremos aos bares e à Scandalos.

P.S. Pra não ficar muito grande, vou postando aqui aos poucos, em duas ou três partes. Quarta posto a próxima.

Abraços, pessoas!