Ternura ácida

Deixa-me atravessar a fina camada dos teus calos,
Ultrapassar a cor verde de tuas lentes,
Para tocar te a pele oculta
E alcançar-te a pureza da retina.

Depois de ti, nada mais é vago;
O mundo todo transparece em substância fluida
Quando abres os braços
E me envolves em tua ácida ternura.

Sobretudo amo as noites em que me lanças,
Como estranhamente passa a amar a cela
O condenado que nela amargou longos anos.

Amo as lágrimas doridas,
As chibatadas de solidão sangrando-me peito,
O doce suplício que é te amar.

Comentários

  1. Ui.. poema um tanto sofrido, custoso.

    Me lembra Camões: "(...) É ter com quem nos mata, lealdade... "

    Tão longe está o amor de ser somente deleite não é mesmo?

    Amo!

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