terça-feira, 7 de abril de 2015

As horas - BEDA - 6º dia

Há uma hora que é escura como uma estrela que se apaga no meio de uma constelação.

Há uma hora que é vazia como o lugar na mesa de alguém que já se foi.

Nessa hora, os seres inanimados gritam alto o que não queremos escutar.

Nessa hora, os sentidos da vida se ofertam às nossas mãos, mas acabam escapando feito água por entre os dedos.

E então como que escurece do lado de dentro também, como se houvesse ficado só o lugar e nosso eu tivesse se ido.

Hora perigosa na qual podemos nos perder para sempre nesse labirinto chamado vida.

Mas esta hora fatídica passa, como passam todas as horas. É da natureza delas se irem e levarem um pouco de nós consigo a cada instante.

Até sabe-se lá que abismo nos consuma.