sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dor companheira

É sempre sobre essa dor

Quando oferto um sorriso
Ou quando engulo o choro
Bem lá no fundo
Ela me faz companhia
De tão presente, mal a percebo
E passo os dias sem reclamar
Mas há dias em que, me parece
Ela se ressente pela indiferença
E se esforça para mais dor ser
E machuca com mais força
E ainda que não queira
Sou forçado a reconhecer:
Muito bem, aí está você
O que faço contigo,
Minha única e mais fiel
Companheira de todas as horas?
Eu te rejeito e faço tudo pra esquecer
E tu, mais dor se faz sentir
Para que eu não tenha como te ignorar
E como não sei chorar
E como não sei gritar
Eu te engulo, como choro
E com a voz que me falta
E tento fazer-te canto
E expressar em palavras
Minha exasperação noturna
Para com você,
Minha inimiga íntima,
Minha amiga indesejada,
Cúmplice do meu desespero mudo.

Quando engulo um choro
Ou quando abro um sorriso
- Ó, minha hóspede incômoda!
É só uma tentativa desesperada
De arrancá-la do meu peito,
Seu aposento predileto.
Inútil, como as anteriores
Mas o que se pode fazer,
Além de cantar?

E por isso te ofereço esse canto