domingo, 5 de abril de 2015

O dia em que eu dei mole e perdi um tesouro - BEDA - 5º dia

Olá, pessoas!! Tudo bem com vocês? Essa história de posts diários no blog está acabando por me fazer sentir à vontade até demais aqui. Felizmente eu só escrevo, porque se fosse um vlog, por exemplo, era capaz eu gravar sem camisa ou só de cueca, por exemplo hahaha.

Tenho mais uma história pra vocês hoje, mas preciso avisar logo de cara que ela não é divertida como as outras. Na verdade, é bem triste, um dos dias que ficaram marcados para sempre na minha memória, pela tristeza que senti, pelas lágrimas que chorei. Estão autorizados a fazer uma pausa para buscar um lenço, é possível que precisem.

Acho que todo mundo aqui já teve algum objeto de grande valor sentimental. Peço que agora parem um instante e lembrem-se dele neste momento com toda a riqueza de detalhes. Se ainda o tiver, tome-o nas mãos antes de continuar a leitura. É essencial para que possam me compreender.

A história se passou quando eu tinha em torno de 5 anos. Eu era uma alegre criança que adorava estar na casa da minha avó, como a grande maioria das crianças. No meu caso, o bom é que a casa da vovó ficava a apenas 5 quadras da minha e a gente vivia lá. Além de ser a casa da vovó, lá tinha outro grande diferencial em relação à minha casa na época – lá tinha um quintal que eu adorava desbravar.

(Sinto que estou enrolando para não me encontrar de novo com toda aquela angústia.)

Pois bem, vamos ao que interessa. Estava eu lá desbravando o quintal da vovó como das outras vezes, até que em um dado momento eu fui até a cozinha, talvez para beber água, e vi aquela coisa linda que me encheu os olhos. Não sei bem, talvez desde aquela época o verde e o vermelho já eram das minhas cores prediletas. E ela tinha as duas cores juntas! Que perfeito, não? Desejei-a no mesmo instante que a vi. Minha avó, deixou lá de lado e eu a peguei e voltei correndo para o quintal com meu tesouro. Era uma caixinha de coadores de papel Melitta vazia.

Sei, é capaz de vocês não levarem a sério de agora em diante, por isso peço que pensem no seu objeto mais querido do universo e ponham no lugar da minha caixinha vermelha e verde. Como ia dizendo, voltei para o quintal e já inventei mil brincadeiras com ela. Ora era uma nave, ora um barco, trouxe até meus bonecos pra passear na minha caixinha. Ela me fez tão feliz!


Aí aconteceu de eu ir para dentro de casa fazer alguma coisa. Imagino que minha mãe tenha chamado para o lanche ou algo do tipo. Sei que fui e deixei minha caixinha com os brinquedos lá fora. Nunca vou me perdoar por isso. Não poderia tê-la deixado assim, desprotegida. Os tesouros, nós os guardamos no lugar mais seguro. Mas eu era jovem demais pra saber.

Minha avó foi limpar o quintal. Recolheu as folhas que caíam das plantas dela e da goiabeira da vizinha. Fez uma pequena fogueira para dar fim nelas. E viu aquela caixa no quintal dando bobeira. Ela deve ter pensado que era lixo, coitada. Sei que ela nunca faria por mal. Quando eu saí na porta, só vi o verde e vermelho já misturado ao amarelo do fogo que já consumia boa parte do meu brinquedo multiuso. Minha caixinha, meu tesouro estava virando cinzas.

Lembro nitidamente da intensidade da tristeza que senti. Abri o berreiro na hora. Chorei, chorei, chorei e ninguém entendia porque eu estava chorando. Era a minha caixinha gente! Verde e vermelha... Tão linda!

Nessa tarde eu talvez tenha sentido pela primeira vez o drama dessa vida, que primeiro nos dá algo para amarmos tanto e depois tira abruptamente, sem que tenhamos nem a chance de nos prepararmos para isso.

Minha caixinha da Melitta ficou comigo por uma tarde da minha infância apenas, mas foi tudo tão intenso que nunca mais a esqueci.