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A arte do encontro

O eterno poetinha Vinícius de Moraes dizia que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida e eu concordo plenamente.

Uma primeira implicação de se ver a vida assim é que, sendo uma arte, ela exige de nós muita criatividade, um toque muito pessoal, um jeito só nosso de promover tal encontro. Mesmo partindo do princípio de que somos seres sociais e é a sociedade na qual estamos inseridos que vai determinar boa parte dos nossos comportamentos no trato com o outro, sabemos se apenas seguimos regras de uma etiqueta qualquer, podemos ser considerados seres que sabem se comportar nos espaços públicos com adequação, mas o encontro verdadeiro, aquele no qual duas almas se reconhecem, seja na amizade, seja no amor, esse aí pede muito mais. Pede empenho e liberdade de artista.

O artista é aquele que cria, que vê algo novo onde ninguém mais viu, ou naquilo que todo mundo via, mas de maneira automatizada, sem atribuir significado ou valor nascido de sua subjetividade. Esse olhar é ponto de partida para a sua criatividade, para a sua verdadeira obra. E para fazer a sua obra, o artista faz uso de matéria-prima, uma matéria bruta que vai ser transformada em algo inédito, único, absolutamente fascinante e que nos toca por trazer aquilo que de mais humano temos em nós. (E o que pode ser mais humano do que procurar o encontro verdadeiro com o outro?)

A matéria-prima de que o artista do encontro faz uso para a sua arte são coisas banais de que todos fazem uso todos os dias: sorriso, aperto de mãos, abraço, olhar atento, ouvidos de prontidão, ombro amigo. O artista do encontro faz uso de tais materiais e, por meio deles, sabe estar aberto para receber o outro. Por outro lado, sabe se dar quando preciso, porque o encontro é via de mão dupla; é uma arte que só se faz em parceria entre, no mínimo, duas pessoas.

A obra prima do artista do encontro é o amor. Quando uma mãe ou um pai ama profundamente seus filhos; quando amigos se acompanham pela vida gratuitamente, pelo prazer da companhia, apoiando nas horas difíceis e comemorando as conquistas um do outro; quando um homem e uma mulher vivem profundamente a experiência do amor a dois, todos estes tornam-se artistas do encontro.

Mas, infelizmente, como diz o poeta, há tanto desencontro na vida! É porque viver e ir ao encontro do outro não é uma arte fácil – e qual arte é? Quando vivemos como robôs, numa rotina automatizada e teleguiada pela moda, pela etiqueta, pelas mais variadas regras sociais vazias, pela impulso meramente consumista, enfim, por aquilo que nos leva para longe do outro e não nos ajuda a estabelecer laços, estamos ao mesmo tempo nos deixando que nos tirem a vida, pois esta, é a arte do encontro.


Não deixemos que nos tirem o nosso bem mais precioso, meus caros. Vamos fazer da nossa vida a mais sublime arte, que é esse encontro profundo com o outro, no qual duas almas se reconhecem para fazer a obra-prima mais bonita e que mais nos emociona – o amor. 

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