domingo, 12 de abril de 2015

Ternura ácida (2)

Explodem em rasgos setentrionais
As vigas cambaleantes dos meus prédios
Vou desabar!
Vou desabar!

Mas não sem antes segurar tua mão
E dividir contigo o peso da minha âncora
Vamos juntos ao fundo do abismo
Vamos juntos ao trágico fim
Não vou sozinho
Não vou


Quero teu sangue, como quero!

Derramado junto ao meu
Que jorra deste peito ultrajado
Por tua ternura lacerante
Com um talho profundo me golpeaste
E agora quedo agonizante neste vale tenebroso
Mas não vou só,
Não vou

Sugarei teu espírito
Comerei a tua carne
E te levarei comigo
Para o fundo do abismo
Como prova de amor
Do grande amor que fincaste
Como estaca no meu peito



Ternura ácida (1)