sexta-feira, 3 de abril de 2015

Uma aventura com a minha banda de pagode - BEDA - 3º dia

Olá, pessoas!!! Chegamos ao terceiro dia do desafio. Hoje quase usei meu coringa aqui, um poema meio ácido que escrevi há algum tempo e deixei amadurecendo na gaveta... até o fim do mês eu posto. Mas vamos ao que interessa.

Juro que estou tentando em trazer um tema mais útil aqui pra esses escritos, mas por enquanto vocês terão que ficar mesmo com minhas histórias. Espero que estejam achando interessantes. Continuando nesse ritmo, ao fim do mês vocês saberão todas as minhas 10 histórias legais e eu não vou ter mais assunto pra conversar pessoalmente quando encontra-los (risos).

Os 5 gatos pingados que acompanham esse blog sabem que eu já toquei numa banda de pagode. Contei uma história dessa época aqui (clique no aqui pra ler, vale à pena) e hoje contarei outra boa – ou pelo menos eu acho boa.

Não lembro se eu disse da outra vez, mas o nome da banda era Swing do Samba. Original, né? Parabéns pra nós rsrs. Quando se passou essa história que vou contar hoje, nós já estávamos algum tempo tocando, já tínhamos tocado em todas as 2 casas de show do bairro e em alguns festivais juninos, ou seja, estávamos fazendo um relativo sucesso. Tanto que recebemos convites para tocar fora do bairro, em comícios e festas de rua, coisas do tipo.

Atendendo a um desses convites, fomos tocar em uma festa junina de rua no bairro do Lírio do Vale, próximo ao terminal de algumas linhas de ônibus que eu não lembro agora. Na verdade nem lembro se é Lírio do Vale mesmo ali. Sei que tem um campo de futebol lá perto do terminal desses ônibus. E sei que naquela época, lá pelos meus 16 anos, aquilo estava muito além das minhas fronteiras, pois meu mundinho se resumia ao Santo Antônio, onde morava, ao bairro da Glória até a praça, onde ia aos finais de semana comer pastel ou jogar futebol com a turma, e ao Centro, que era onde estudava e ia comprar roupas e outras coisas que precisava. Pois bem, aceitamos esse convite, mesmo sem saber direito o que nos esperava, tudo pelo rico cachê que era aproveitar as guloseimas e beber alguma coisa de graça na festinha – eu bebia só água e refrigerante nessa época rs.

Nossa aventura já começou na ida. Não conseguimos um carro grande pra levar a turma e os instrumentos e acabou que decidimos, por pura falta de opção, ir no fusquinha do seu Jurandir em duas viagens, porque além da banda ser numerosa, tinha os instrumentos e tudo – porque se fossemos só os integrantes, ainda daria pra dar um jeito de ir todo mundo numa viagem só. Você que já teve um fusquinha ou tem um amigo que teve, sabe do que ele é capaz. Desafia-se as leis de Newton pra caber, sei lá, 10 pessoas em um fusquinha, celtinha ou outros carrinhos básicos. Quem nunca?

Pois bem, fui na primeira leva. Estava difícil até pra respirar com tanta gente ocupando o mesmo espaço, mas mesmo assim estava todo mundo animado, conversando e rindo horrores. Até que, já chegando ao local do evento, o fusquinha empacou em cima de um quebra-molas. Ainda lembro o barulho que fez quando o assoalho do carro arrastou no quebra-molas e ficamos balançando pra frente e pra trás, sem conseguir sair do lugar. Imaginem a cena! Daí saímos e empurramos, tudo era motivo de riso e mais brincadeiras. Logo chegamos ao local combinado e ficamos esperando os demais. Lembro que a segunda leva demorou a chegar e a gente já estava ficando preocupado quando vimos o pessoal dobrando a esquina e chegando a pé – o fusquinha tinha pregado lá perto. A noite tinha começado bem.

Tocamos, comemos, bebemos e nada demais aconteceu aí – não que eu me lembre pelo menos. A história que eu queria mesmo contar começa agora. Preparem os seus corações, que virão momentos de pura tensão e suspense. Tcham tcham tcham tcham!!!

Terminamos a apresentação já bem tarde da noite e voltaríamos de ônibus, já que o nosso meio de transporte estava avariado. Eram já, sei lá, 23h30min e imaginamos que o último ônibus deveria sair da estação 00h00min. Não lembro bem porque, mas não ficamos lá na estação final do ônibus, fomos caminhando até uma parada que ficava um pouco mais à frente, numa rua que tinha residências de um lado e um matagal do outro. Ficamos na parada do lado do matagal. Estávamos lá, em torno de 8 a 10 pessoas, não lembro ao certo, cada qual com seu instrumento (violão, baixo, cavaco, tantã etc.) na maior bagunça, quando de repente passa do outro lado da rua um indivíduo com uma cara de galeroso, com aquele andar de abana cú, encarando-nos com aquela marrentice própria desses tipos. Sozinho. Ainda lembro o silêncio que ficou quando todos olhamos para a insolência daquele rapaz. Daí alguém comentou, acho que o Denis, se a gente deveria dar uma lição nele logo ali. Alguém do grupo comentou que talvez ele fosse de alguma galera e se passou encarando desse jeito poderia voltar com o pessoal dele pra pegar a gente. Todos achamos bem razoável essa possibilidade e ficamos quietos mesmo, se bem que eu ficaria quieto de qualquer jeito, porque sempre fui da paz.


Passou o tempo e nada de o ônibus passar. Uma espécie de terror começou a nos assaltar, com a possibilidade de não ter mais ônibus misturada ao temor de que os galerosos amigos do moleque marrento brotassem do mato e viessem ali nos pegar e roubar nossos instrumentos. Então, resolvemos ir andando até a rua principal, que não ficava tão perto assim, mas também não tão longe, pra ter mais opções de ônibus ou, em último caso, rachar táxis de volta pra casa. E assim fomos caminhando. Lembrando a vocês, eram casas de um lado, matagal de outro. A rua era meio de subida e lembro que no meio do caminho, a gente sempre com aquela animação, brincando, falando alto, alguém viu as fatídicas sombras lá no alto, onde a rua fazia uma curva. Eram os galerosos vindo nos pegar, logo pensamos. Pelas sombras, pareciam muitas cabeças. E agora? Após uma breve conferência, decidimos continuar andando, afinal poderiam ser apenas moradores andando. Em último caso, usaríamos nossos instrumentos como arma. Estava até com pena ao imaginar o violão se quebrando na cabeça de um galeroso, pensando no desperdício que seria. A cada passo que dávamos, a tensão aumentava mais. Lembro que de novo o silêncio fez-se quase sólido quando fomos chegando mais perto do lugar onde estavam as sombras, mas elas permaneciam imóveis. E agora?

Seguimos andando. Até encontrar a cerca que protegia um terreno abandonado e que o medo nos fez pensar que seriam as cabeças de nossos algozes hehehe. O que o medo não faz, né?

No fim conseguimos falar com um amigo que foi nos buscar em uma D20 e tudo terminou em samba na capota do carro rs.

E aí, temeram pela nossa integridade física? Gostaram do meu drama? Comentem, contem algo que o medo fez vocês verem onde não existia nada também.


Até amanhã, gente!